Fernando (nome fictício), 16 anos, vive com Aids desde o três anos de idade. Vítima de transmissão vertical, não tem lembranças do pai e da mãe, que morreram quando ele ainda era um bebê. Foi adotado por parentes e desde que se conhece por gente tenta driblar o fantasma que ameaça sua saúde. Hoje é exemplo de vitalidade e otimismo, mas não esconde o longo caminho percorrido até aprender a conviver com o vírus. ''Perdi a conta de quantas vezes fiquei internado com pneumonia e com crises de sinusite, por exemplo. Não tinha consciência da gravidade do meu problema, demorou para cair a ficha.''
E quando ela enfim caiu, Fernando não esmoreceu. Em vez disso, foi em busca do que poderia tornar mais amena a convivência com os remédios e manter os riscos sob controle. ''Sei dos meus limites. Não posso fazer extravagâncias, do tipo sair mal agasalhado em dias frios, andar descalço na chuva, essas coisas. Tenho que ficar atento aos horários dos remédios e não descuidar da alimentação. De resto, sou uma pessoa como outra qualquer'', diz o jovem, que vive dando ''conselhos'' a outros adolescentes sobre a importância de se proteger durante o sexo.
Das vias sacras pelos hospitais e da infância cheia de limitações resultou um adolescente que tem gana de viver. Contrariando as previsões da mãe, ele aceitou dar entrevista à FOLHA e esperou a reportagem na porta de casa, ansioso para falar de sua trajetória ao mesmo tempo tão breve e tão intensa. Só pediu, por razões óbvias, para não ser identificado. ''A maioria não sabe que tenho o HIV. Só sabe quem tem que saber. E essas sempre me trataram muito bem'', orgulha-se, para em seguida explicar de onde vem tanto otimismo: ''Como eu tenho um problemão, todos os outros parecem pequenos. A doença me ensinou que a gente tem que respeitar cada pessoa como ela é, sem ficar julgando. Ninguém é melhor do que ninguém.'' (S.L.)

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