Seguuuura, Edgar
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sexta-feira, 04 de abril de 2008
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Menino simples, nascido em Londrina e criado no campo, mais precisamente em Faxinal, Edgar Lázaro de Oliveira apaixonou-se pelas montarias ainda garoto, aos 10 anos, brincando com os bezerros da fazenda que seu pai administrava. Não deu outra, virou peão.
A primeira montaria pra valer foi aos 17 anos no rodeio de Lerroville, distrito rural que fica na Zona Sul de Londrina. O prêmio pelo segundo lugar que ele conquistou na ocasião foi tão modesto quanto aquela competição: R$ 170. Ele mal podia imaginar que poucos anos depois iria faturar bem mais. Nos rodeios brasileiros, já ganhou cinco motos e quatro carros. Na ''terra do Tio Sam'' faturou milhares de dólares.
A oportunidade de competir nos Estados Unidos foi conquistada graças à amizade com Adriano Moraes, peão brasileiro que faz um sucesso danado com os gringos. ''Ele me viu montando por aqui, gostou do meu estilo e me levou pra lá'', explica.
Cheio de vontade de vencer, Edgar desembarcou em 2005 no circuito de rodeio americano, o famoso ''Professional Bull Riders (PBR)''. Só no ano de estréia ganhou 192 mil dólares. ''Fui o segundo novato a ganhar mais dinheiro naquele ano'', relembra, sem deixar de lado o jeito tímido e sossegado. Juntando as premiações de 2006 e 2007, o londrinense faturou 380 mil dólares, dinheiro que, é claro, investiu em bois.
Em novembro de 2007, uma inesperada contusão em um músculo da perna obrigou o peão pé vermelho a voltar para a sua terra. Hoje morando em Londrina, Edgar recomeça a carreira, com a vontade de voltar para os States, onde o peão é mais valorizado do que em terras tupiniquins. ''No Brasil, o rodeio é um show. Nos Estados Unidos, a estrela é o peão. Aqui só é bem tratado quem tem um nome, lá o tratamento é mais igualitário'', destaca.
Depois da lesão, o rodeio da 48 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina é o terceiro que Edgar disputa. Nos anteriores, Paranavaí e Colorado, o desempenho não foi dos melhores.
Porém, ele confia que vai ter mais sorte no Recinto João Milanez. A vibração do público deve ser a força a mais para não cair dos baitas touros de até 900 quilos que pulam com uma força espantosa. Para ele, os aplausos do povo devem fazer os ponteiros do relógio girar mais depressa, fazendo com que os oito segundos sobre o lombo do bicho não pareçam uma eternidade. ''Já ganhei aqui em 2003. Por ser da casa, sinto a vibração da arquibancada. Isso ajuda. Eu não quero cair na minha cidade''.
As provas de rodeio começaram ontem à noite e seguem até amanhã.


