LARANJEIRAS DO SUL - Os seguranças da empresa Giacomet-Marodin, Antoninho Valdecir Somenzi e Jorge Dobinski da Silva, acusados de matar os sem-terra Vanderlei das Neves, 16 anos, e José Alves dos Santos, 34, se apresentaram ontem à polícia.
Eles tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz da Vara Criminal de Laranjeiras do Sul (109 quilômetros a oeste de Guarapuava) Antonio Domingos Ramina Júnior, a pedido do delegado Sebastião Ramos dos Santos Neto, que instaurou o inquérito. O delegado disse que não há prazo para ouvir os acusados, que só devem falar acompanhados de advogado.
O crime aconteceu em 25 de janeiro, no acampamento da Fazenda Pinhal Ralo em Rio Bonito do Iguaçu (125 quilômetros a oeste de Guarapuava). A prisão preventiva foi decretada anteontem. No mesmo dia, a polícia de Laranjeiras iniciou as buscas.
Segundo o delegado Santos, a empresa proprietária da fazenda invadida estaria dificultando a prisão. ‘‘A empresa não tinha nenhum interesse em colaborar com a Justiça’’, salientou. Ele disse ainda que os dois funcionários estavam escondidos na própria Fazenda Pinhal Ralo.
O gerente de Recursos Humanos da Giacomet-Marodin, Roni César Chiochetta, afirma que a empresa não estava escondendo os acusados, mas tomando algumas medidas para garantir a segurança deles. Segundo Chiochetta, em julho do ano passado um dos acusados foi sequestrado pelos sem-terra e humilhado, juntamente com mais sete seguranças. Depois disso foram levados para a Delegacia de Laranjeiras. ‘‘Esses funcionários trabalham na empresa há mais de 10 anos e são pessoas de caráter excelente. Não podíamos deixá-los ao acaso’’.
Chiochetta disse ainda que na época do crime outros seguranças foram apontados como autores dos disparos. Ele ressaltou que apenas o pai de Vanderlei Neves reconheceu um dos seguranças como autor do crime. ‘‘O pai da vítima tinha uma desavença pessoal com este segurança’’.
A Fazenda Pinhal Ralo foi invadida em abril de 1996. Vivem no acampamento cerca de 1,6 mil famílias. Empresa e Incra negociam a desapropriação de 16,8 mil hectares, do total de 81 mil hectares da fazenda.
No local do crime foram encontrado projéteis de calibre 22, 12 e 357 e de fuzil 762, arma de uso exclusivo do Exército. Quando foi atacado, os dois sem-terra examinavam uma lavoura de milho a alguns quilômetros do acampamento.
Protesto Amanhã, segundo líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) da região, cerca de 500 acampados da Pinhal Ralo promovem manifestação bloqueando a estrada que liga Laranjeiras do Sul a Cascavel e Curitiba. Das 9 às 12 horas, a estrada permanecerá fechada.
Depois, os sem-terra se deslocarão para a prefeitura de Laranjeiras, onde vão reivindicar educação para crianças e jovens do acampamento.

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