A Polícia Civil de Maringá prendeu ontem três ‘‘seguranças’’ e apreendeu armamento pesado na Fazenda Santa Emília, em Itaguajé (110 km ao norte de Maringá). Cícero Romão Alves, 41 anos, Celino Rocha Romero, 43, e Valdeir Lima do Nascimento, 36 anos, todos de Dourados (MS), disseram à polícia que foram contratados pelo dono da fazenda, Armando Guirelli, e um advogado. Eles alegaram também que todas as armas foram fornecidas pelo contratante.
A polícia apreendeu duas espingardas modelo shaot gun calibre 12, uma cartucheira 12, uma carabina calibre 38 e uma 36. As armas estavam escondidas no forro da casa do administrador e no meio do pasto. A prisão foi feita através de mandado de busca e apreensão, expedido pela juíza Karin Faurharmel Pim, de Colorado, depois das denúncias de que os ‘‘jagunços’’ estavam atirando contra sem-terra acampados próximos à fazenda.
Os sem-terra foram expulsos da propriedade no final de junho e, ‘‘orientados’’ pelo Incra, acamparam às margens da PR-542, nas proximidades da fazenda. Segundo o delegado José Aparecido Jacovós, da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, os jagunços armaram uma torre de seis metros próximo à entrada da propriedade, de onde vigiavam toda a área.
O delegado confirmou também que os seguranças estavam atirando contra o acampamento, onde estão representantes das 96 famílias despejadas em junho. ‘‘Os seguranças sabiam que a gente ia na propriedade e acho que o grupo era maior’’, disse Jacovós.
Ele revelou ainda que um dos jagunços preso foi reconhecido pelos sem-terra por ter participado da ação de retirada das famílias. Os mais de 150 sem-terra foram expulsos na manhã do dia 20 de junho por cerca de 15 homens encapuzados e armados, que destruíram todo o acampamento.
O proprietário da fazenda, Armando Guirelli, que mora em Cafeara (103 km ao norte de Londrina), e o advogado que ajudou na contratação dos jagunços, que não teve o nome revelado pela polícia, serão processados por porte ilegal de armas e desocupação forçada. Os três seguranças presos, segundo Jacovós, também vão responder por porte ilegal de arma e formação de quadrilha. ‘‘Como são armas de uso restrito, existem agravantes’’, disse o delegado.
A perícia agora vai confirmar se os cartuchos encontrados na fazenda, no dia da desocupação, pertencem às armas apreendidas ontem.

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