Seguranças agridem jovem na biblioteca
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terça-feira, 29 de julho de 1997
Elisa Marilia 
Curitiba
Albari RosaCovardiaJosé Ricardo da Veiga simula agressão sofrida por Kléber Augusto Alencar: Reagi dizendo que eles não tinham o direito de fazer issoO cochilo de um rapaz enquanto ouvia um áudio-livro na sala de multimeios da Biblioteca Pública do Paraná, em Curitiba, provocou um ato de agressão dos seguranças que trabalham no local. O vigia Carlos Barbosa perdeu a paciência e deu um chute no rosto do teleoperador Kléber Augusto Alencar, que há mais de cinco anos frequenta a biblioteca.
No último dia 19 de julho, Alencar estava ouvindo o áudio-livro Feliz Ano Velho, de Marcelo Rubens Paiva, com a cabeça baixa e apoiada nos braços, sobre a mesa. Ele foi chamado com um forte tapa nas costas pelo segurança Barbosa, que disse que fosse para casa, se quisesse dormir, contou o carteiro José Ricardo da Veiga. Ele estava na mesma sala, num equipamento ao lado, presenciou toda a cena e acabou se envolvendo. A queixa foi registrada no 1º Distrito Policial.
Por duas vezes Alencar foi advertido pelo segurança e argumentou que estava ouvindo a fita e que não ia sair antes que terminasse. Na terceira vez, o segurança puxou o rapaz para fora com muita violência. Como eu estava assistindo a tudo, reagi dizendo que aquilo era uma agressão e que eles não tinham o direito de fazer isso, relatou Veiga.
Nesse momento, os dois rapazes foram imobilizados pelos seguranças Aguinaldo dos Santos, Hélio de Oliveira e Armando Lopes, além de Carlos Barbosa. O carteiro foi empurrado de frente contra a parede com as mãos presas às costas. Alencar tentou se desvencilhar e levou um chute no lado esquerdo do rosto.
A funcionária da biblioteca Doroti Oliveira orientou os dois para que registrassem queixa na delegacia. Além de ir ao distrito policial com José Ricardo da Veiga, Kléber Augusto Alencar também fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal.
Foi um fato lamentável e infelizmente ocorreu dentro da Biblioteca Pública. O serviço de segurança dos três andares do prédio é terceirizado através da empresa Ambiental. O vigia que deu o chute foi afastado e agora esse processo vai correr na Justiça, informou a diretora da biblioteca, Marilene Milarch.
Ela disse também que é frequente a necessidade de interferência dos seguranças nas diversas salas da biblioteca. Recebemos em média 4,5 mil pessoas por dia e por aqui circula todo tipo de gente. Não temos como impedir a entrada, mas muitas vezes temos de recorrer aos seguranças, disse.


