Segurança se excedeu na morte de empresário, diz delegado
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segunda-feira, 10 de setembro de 2001
Chiara Papali 
O delegado Jorge Barbosa, que investiga a morte do empresário Carlos Alberto Specian, 56 anos, em Londrina, quer descobrir quem atirou primeiro, a vítima ou o segurança da empresa Sitese, Luiz Antônio Vieira, 39 anos, que fazia a vigilância do Jardim Bela Suíça (zona sul). O vigia afirmou ao delegado que o empresário o aguardava no meio da rua no sábado à noite, embriagado, e disparou contra ele três tiros de escopeta calibre 16. ''O segurança alegou que atirou depois, em legítima defesa. Por isso é importante saber quem atirou primeiro'', disse Barbosa.
De acordo com o delegado, foram deflagrados dois tiros da arma de Specian, que não tem porte de arma, e quatro tiros do revólver calibre 38 do vigia. ''O vigia se excedeu. Ele podia ter se defendido atirando para o alto ou mesmo na perna do morador'', opinou o delegado ao lembrar que Vieira é ex-policial militar do Pelotão de Choque.
Familiares e vizinhos de Specian começam a ser ouvidos hoje pela polícia. O Instituto Médico-Legal deve divulgar no máximo em cinco dias o resultado do exame de dosagem alcoólica do empresário e lesões corporais do vigia. Por enquanto, o vigia está preso no corredor do 5º Distrito Policial, para evitar atrito com os demais presos e também porque a carceragem está superlotada - 80 presos ocupam o espaço previsto para 24. Segundo o delegado, ele será transferido em breve para um local ainda não definido. O vigia se recusou a comentar o assunto com a reportagem da Folha, ontem à tarde. Ele chegou ao IML sem algemas e ficou muito irritado porque não queria ser fotografado.
Um dos vizinhos de Specian, o construtor Adelino Ferreira, de 72 anos, contou que na noite de sábado ouviu uma discussão, logo depois dois tiros ''com um som diferente, bem forte'', e depois três tiros. Morador do bairro há quase cinco anos, Ferreira disse que frequentemente ouvia discussões na casa de Specian e que já tinha sido ameaçado de morte por ele. ''Uma vez, porque o alarme da minha casa disparou, ele saiu aos berros, me xingando e ameaçando de morte. Era um homem violento'', afirmou.
O genro da vítima, André Chaves, 28 anos, proprietário de uma agência de viagens, culpou o amadorismo das empresas de segurança pelo fato. Segundo ele, o vigia mostrou despreparo ao não informar a discussão que teve com Specian à central. Ele disse à Folha que sua sogra teria presenciado horas antes do crime uma discussão entre o empresário e o vigia, que teria ficado rondando a casa pouco antes do crime. Ela teria ouvido gritos de ''atira! atira!'' do vigia, antes de escutar o barulho dos disparos. (Colaboraram Betânia Rodrigues e Lúcio Flávio Moura)


