Segurança Pública nega prisão ilegal
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sexta-feira, 04 de setembro de 1998
Dimitri do Valle 
O governador Jaime Lerner (PFL) determinou ontem rigorosa apuração dos fatos ao lastimar a prisão ilegal do repórter Alexandre Sanches e do fotógrafo Mário César durante operação de desocupação da Fazenda Cachoeira, no município de Sapopema. O posicionamento de Lerner entrou em contradição com uma nota divulgada pela assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública, que negou a ocorrência das prisões.
Em um comunicado de oito linhas, Lerner expressou que seu governo tem mantido um canal de diálogo com os representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), e a determinação de permitir a toda a população do Paraná o acesso à Justiça Social.
Por meio do comunicado, Lerner lamentou o episódio ocorrido com a equipe da Folha. O pronunciamento do governador não foi o mesmo expressado por outra repartição do governo estadual. Num informe divulgado pelo centro de comunicação social da Secretaria da Segurança Pública, foi negado que a equipe de reportagem tenha sido detida pela Polícia Militar.
O informe diz que em momento algum houve intenção de ameaçar ou cercear as atividades dos jornalistas, sendo o lamentável ocorrido resultado das circunstâncias do momento. Ao abordar as prisões de Alexandre Sanches e Mário César, o comunicado informa apenas que durante a operação dois cidadãos que se encontravam no interior da fazenda foram confundidos com invasores devido a escuridão.
A versão oficial da Secretaria de Segurança alega que, após a abordagem, constatando-se serem jornalistas a serviço do conceituado jornal Folha de Londrina/Folha do Paraná, foram imediatamente liberados e convidados a permanecer em local seguro, em razão da operação policial em andamento. O posicionamento é totalmente contrário ao que disseram o governador e os jornalistas da Folha. A Secretaria de Segurança Pública anunciou também que uma investigação será feita para melhor apuração e esclarecimento dos fatos.
O informe da Secretaria computou também que 92 pessoas foram retiradas da Fazenda Cachoeira. Oito acampados foram autuados em flagrante por formação de quadrilha e porte ilegal de arma. Oito espingardas e dois revólveres foram apreendidos por não terem registro de licença. Foram presos: Jaci Gonçalves, Nelson Pascoal Dermarque, João Valdevino da Silva, Gevaldo João da Silva, José Barbosa da Luz, Valmir Ferreira de Paula, Miguel Pereira Camargo e José Lopes (leia textos nesta página).


