Nos últimos dois anos, o número de acidentes com aeronaves da aviação geral no Brasil sofreu uma redução. Em 2013, segundo dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), foram registrados 159 casos. No ano passado foram 145. Entre 2005 e 2014, o volume de acidentes saltou de 58 para 178 casos por ano.
O Paraná é o quarto Estado com maior incidência de acidentes com aeronaves da aviação geral. São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Sul ocupam as três primeiras posições. Isso coloca a região de abrangência do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos (Seripa 5) na segunda posição do ranking nacional com maior número de acidentes envolvendo a aviação de instrução.
Por isso, o órgão está investindo na formação da cultura de prevenção por meio da promoção de encontros para discutir boas práticas na aviação. O Estágio de Padronização da Instrução Aérea (Epia), que está na sua terceira edição, começou ontem e termina hoje na Universidade do Norte do Paraná (Unopar). O evento reuniu instrutores de voo e membros de aeroclubes da região, que participam de palestras sobre boas práticas e ferramentas de padronização para a aviação de instrução.
A intenção do evento é trabalhar a educação e conscientização sobre a segurança dos voos. "A intenção é fomentar na raiz o trabalho de prevenção", disse o tenente-coronel Luís Renato Horta de Castro, chefe do Seripa 5. Os dados de acidentes mostram que três fatores formam decisivos para a suas ocorrências: julgamento de pilotagem (13,23% dos casos), supervisão gerencial (10,55%) e planejamento de voo (9,08%).
O Epia já passou por Porto Alegre (RS) e Florianópolis (SC), e para o ano que vem estão previstos encontros em Curitiba e Carazinho (RS). Londrina foi escolhida por causa da sua importância como polo de ciência aeronáutica. "É uma região que concentra a atividade de instrução aérea e assim atingimos uma fatia deste segmento", comentou o brigadeiro do ar Dilton José Schuck, presidente do Cenipa.
Os casos investigados pelo Seripa 5 servem de exemplo para abordar os erros cometidos durante os voos e discutir a prevenção e estabelecer padronizações de boa práticas. "Existe uma falha no processo de instrução e para mudar isso promovemos essas atividades de educação", comentou o tenente-coronel Renato. Segundo ele, existe uma grande rotatividade de profissionais nas escolas de aviação e também uma falta de procedimentos. Ele afirmou que é comum encontrar fichas de voos incompletas e sem parâmetros.

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O perfil dos instrutores é de profissionais na faixa de 18 a 30 anos, com 300 a 700 horas totais de voos e, que normalmente, tem um trabalho complementar. Para ser instrutor, o profissional precisa fazer um curso específico. A atividade é um trampolim para chegar a aviação comercial. "Como instrutor se ganha experiência e horas de voos. É a porta de entrada para a carreira", comentou Kleber Ribeiro da Silva, gerente da escola de aviação do Aeroclube Regional de Maringá.
O presidente do Aeroclube de Londrina, Jonas Liasch, enfatizou a importância da capacitação dos profissionais, principalmente porque a atividade tem uma margem maior de riscos em função de atuar com alunos inexperientes. Segundo ele, em Londrina há uma demanda para profissionais para formação de pilotos. O aeroclube tem cerca de 100 alunos em aulas práticas e em torno de 140 em cursos teóricos de piloto, comissário de bordo e mecânico. A primeira turma formada pelo aeroclube foi em 1946.

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