Londrina

Arquivo FolhaPerigo constanteO caixa eletrônico onde morreu o engenheiro Rubens Rodrigues: bancos não cumprem lei de segurançaUm ano depois da morte do engenheiro Rubens Antonio Rodrigues, 26 anos, num caixa eletrônico, em Londrina, os usuários dos caixas 24 horas continuam expostos aos mesmos perigos de antes. A lei 7.102/83, regulamentada pela 8.863/94, que trata da segurança em instituições financeiras, vem sendo parcialmente cumprida pela minoria dos bancos. Em Londrina, de acordo com o Sindicato dos Vigilantes, apenas um banco cumpre a lei na íntegra. Das 52 agências bancárias locais, 20 têm parte dos equipamentos exigidos.
Rodrigues foi morto com um tiro em 12 de setembro de 1996, quando saía do caixa eletrônico do Bradesco, na esquina na avenida Paraná com a rua Pernambuco. O crime aconteceu logo depois da meia-noite, quando o engenheiro fazia uma retirada e esperava o irmão para buscá-lo. Nenhum suspeito foi apontado.
A família de Rodrigues entrou com uma ação exigindo indenização do banco. O caso está na 3ª Vara Criminal. Segundo a irmã de Rodrigues, Margarete Coloniezi, o banco alega imprudência do engenheiro por ter ido ao caixa eletrônico depois da meia-noite. ‘‘Mas era um banco 24 horas’’, argumenta Margarete. ‘‘Aí eles alegaram que foi uma fatalidade.’’ Margarete lamenta o descaso dos banqueiros com a segurança. ‘‘Eles não se importam com isso. Não querem investir.’’ O advogado do departamento jurídico do Bradesco, Wilson Gomes da Silva, não foi encontrado pela Folha.
A lei 7.102 estipula que cada agência bancária mantenha, no mínimo, dois vigilantes, instale porta eletrônica, detector de metal e circuito interno de vídeo. Em vez disso, o número de vigilantes no Norte do Paraná vem diminuindo. Segundo o Sindicato dos Vigilantes, até 1991 eram 3.500 vigilantes em agências bancárias contra 1.500 hoje. Em Londrina, segundo informações do Sindicato, o número de vigilantes nesse mesmo período caiu de 750 para 350. O presidente do Sindicato, Gabriel Martins, diz que muitas agências das cidades pequenas do Estado não têm vigilante. Na maioria das agências que têm o vigilante, o serviço, de acordo com Martins, só é oferecido durante o dia. ‘‘Os banqueiros não estão preocupados nem com a segurança dos funcionários nem com a clientela.’’
Trindade, que já trabalhou como segurança na agência Bradesco, onde Rubens Antonio Rodrigues foi morto, é testemunha do caso. Ele acredita que se houvesse um vigilante dentro da agência no horário do crime, o engenheiro não teria sido assassinado. ‘‘Esse rapaz não teria morrido porque a divisão do banco é toda de vidro e o ladrão teria visto o vigilante e se intimidado.’’ Em meados de agosto, representantes do Sindicato dos Vigilantes tiveram audiência em Brasília, com deputados e o Ministro da Justiça, Íris Rezende. Os vigilantes propuseram a incrementação da lei 7.102, estendendo as exigências de segurança para os caixas eletrônicos e, ainda, o aumento da multa para o descumprimento. Hoje a multa varia entre 1.000 Ufirs (R$ 910) e 5.000 Ufirs (R$ 4.554). A proposta, segundo Martins, foi acatada e deve fazer parte do projeto de lei da deputada Rita Camata (PMDB-ES) que estipula que as portas eletrônicas dos bancos sejam de vidro blindado e os bancos tenham alarme ligado com a delegacia policial mais próxima.

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