A presença da família ou de alguém próximo auxilia na recuperação dos pacientes. ''O mais importante é ter quem a gente gosta perto da gente, principalmente na hora da doença'', afirma a diretora técnica do Hospital Evangélico, Rossana Amin Graciano Resende, acrescentando que existem vários estudos que tratam da importância da presença familiar. ''Para quem está internado o ambiente, as pessoas, tudo é novidade, e a presença de um familiar é o único contato que eles possuem com o mundo lá fora'', conta.
Rossana explica que emocionalmente a presença de um familiar dá segurança e até na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal a melhora é visível. ''Para os idosos isso também acontece, pois os acompanhantes trazem tranquilidade para essas pessoas'', relata.
Ela diz que já viu casos em que o paciente não reagia, mas quando chegou uma filha que morava longe a melhora foi visível. ''Mas também já vimos casos em que o paciente morava em um asilo e não tinha ninguém para acompanhá-lo e a recuperação não foi nada satisfatória'', relembra.
A diretora explica que até a presença de vizinhos com quem a pessoa convive bastante pode abrir uma porta emocional e contribuir para a melhora do paciente. ''A vontade de partir é diferente para quem tem alguém lá fora e de quem não tem ninguém'', observa. Ela sabe que existem pessoas que trabalham o dia inteiro e não podem acompanhar, mas informa que o hospital sempre aconselha essas pessoas a realizar visitas.
A médica Denise Kley concorda e conta que as doenças possuem conotação psicossomática, ou seja, proporcionam um sintoma físico que possuem origem em problemas psíquicos. ''Quando a mente não fala, o corpo fala pela gente e temos doenças que se manifestam pelo lado psicológico, como a gastrite, infarto, desmaio, crise convulsiva, e a carência emocional leva a um distúrbio no corpo'', explica.
Denise relata que acompanhou recentemente uma equipe do Sistema Único de Saúde para verificar se os hospitais dispunham de poltronas para acompanhantes. Ela conta que existe uma lei que obriga os hospitais a oferecerem a poltrona, mas foi constatado que em algumas instituições o acompanhante não permanecia no local porque não existia a poltrona. ''Não posso dizer quais são esses hospitais, mas eles já foram notificados'', conta.
A médica explica que não adianta proporcionar apenas apoios técnicos e financeiros se não tiver ninguém por perto para dar apoio emocional expõe.

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