Campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo. Estes são os equipamentos obrigatórios para as bicicletas exigidos pelo Código de Trânsito Brasileiro. Mas, apesar de o Código completar dez anos este mês, pouca gente conhece e praticamente ninguém cumpre essas exigências.
Além do desconhecimento, a falta de equipamentos adequados é outro fator que contribui para que essa lei não seja cumprida. Os retrovisores disponíveis no mercado são pequenos e não são espelhos, mas sim superfícies espelhadas, reduzindo drasticamente a qualidade da imagem. E as buzinas, feitas de plástico, como as das bicicletas infantis. ''Quando a pessoa compra uma bicicleta com retrovisor e buzina, a primeira coisa que ela pede é para tirar esses dois. Não são eficazes'', afirma o vendedor Jonathas Ribeiro Lima, que trabalha com bicicletas há mais de seis anos.
Esses fatores, aliados à falta de fiscalização, terminaram por criar o senso comum de que, embora a lei exija, tais equipamentos não são obrigatórios. ''Não há como fiscalizar nem penalizar, porque as bicicletas não têm placas, e os condutores não têm registros como os motoristas de veículos'', comenta o sargento Edivaldo Lopes, encarregado pelo setor de acidentes da Companhia de Trânsito de Londrina.
Segundo o sargento, além da falta dos equipamentos obrigatórios, muitos ciclistas também não seguem a sinalização de trânsito. ''Para circular nas ruas, é preciso seguir as normas de trânsito. Mas o condutor geralmente não respeita, fura o sinal vermelho, anda na contramão'', observa.
Ao mesmo tempo, há um outro item considerado obrigatório pelos usuários conscientes, mas que não consta do Código: o capacete. ''A lei pecou em não incluir o capacete como obrigatório. Ele garante a segurança assim como em uma moto, porque em uma queda, a facilidade de bater a cabeça é muito grande'', avalia Marco Antônio Barbosa, diretor técnico da Confederação Brasileira de Ciclismo.
Apesar de sua importância, porém, segundo o vendedor Lima, o público que compra capacetes também é bem restrito. ''Há os ciclistas adultos que andam com frequência e sabem da necessidade do capacete. Mas os atletas de fim de semana, o público infantil e o adolescente que consome acessórios de segurança é bem pequeno'', relata, acrescentando que alguns pais até chegam a comprar o capacete, mas é difícil convencer a criança a usá-lo.
O advogado Fabiano Luiz de Oliveira pedala com um grupo de amigos quatro vezes por semana, e sabe da importância de se proteger. Por isso, além da sinalização noturna exigida, ele faz questão de incluir uma lanterna traseira, um farol dianteiro e um capacete com lanterna. ''O Código pede os adesivos reflexivos, mas só eles não resolvem, porque só refletem quando o veículo já está relativamente próximo'', justifica.
Para pedalar, as roupas também são específicas, de cores fortes, e contribuem para uma melhor visualização do ciclista. Para substituir uma buzina fraca e sem alcance, o grupo adotou o apito, que ainda por cima ajuda quando alguém fica para trás ou se perde dos outros. Já diante da falta de um retrovisor de qualidade, o jeito é redobrar a atenção.
Como o grupo pratica o cross country, em que são realizados percursos difíceis e de dezenas de quilômetros, os acessórios vão além. Fabiano tem luvas, sapatilha (calçado especial que se encaixa no pedal), monitor cardíaco, óculos, bolsa com água, kit de primeiros socorros, kit de reparos, iluminação dianteira e traseira, entre outros. ''É uma questão de consciência. Fazemos isso pensando no nosso conforto e segurança'', explica, recomendando que mesmo quem deseja pedalar pouco utilize sempre luvas e capacete. ''Conheço uma pessoa que não usava luvas de jeito nenhum, até o dia em que caiu e uma pedra ficou enfiada em sua mão. Hoje ela não sai sem as luvas. Então é tudo uma questão de consciência'', reforça o advogado, que já se envolveu em um acidente em que bateu a cabeça e o capacete evitou que se machucasse gravemente.
Oliveira ressalta que a luva e o capacete são mais imprescindíveis quando se trata de crianças. ''A criança ainda não sabe como cair, e, diante de algum perigo, ela estica os pés ao invés de apertar a mão no freio. E os ferimentos podem ser sérios'', alerta.
O Corpo de Bombeiros registrou em 2007 um total de 764 acidentes envolvendo bicicletas em Londrina. Destes, 428 foram quedas, 110 foram colisões com motos e 185 envolveram automóveis.

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