Celso Margraf




PausaOs cerca de 200 sem-terra que invadiram a Fazenda Santo Antonio, em Teixeira Soares, descansam após conflito com funcionários da propriedade (acima); soldados da Polícia Militar (abaixo) observam

Um grupo de aproximadamente 200 trabalhadores sem-terra invadiu ontem a Fazenda Santo Antonio, no município de Teixeira Soares (20 quilômetros de Ponta Grossa). Durante a ocupação da área, Valdecir Antonio Mendes da Silva, 26 anos, funcionário da fazenda, foi ferido em confronto com os sem-terra.
Valdeci foi atingido duas vezes na perna esquerda e uma no pé direito, por tiros disparados de uma espingarda do tipo cartucheira.
Valdecir disse que foi ferido pelos invasores. Os sem-terra se defendem e garantem que durante a ocupação não utilizaram nenhuma espécie de arma de fogo, a não ser as foices, enxadas e facões.
O coordenador da Regional-Sul do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) no Paraná, Domingos Mangrichi, culpou ‘‘seguranças’’ da fazenda pelos tiros disparados em Valdeci.
De acordo com Mangrichi, o MST resolveu invadir a área para pressionar o Incra pela desapropriação. A Fazenda Santo Antonio já foi vistoriada, mas o Incra ainda não emitiu o laudo confirmando se as terras são realmente improdutivas.
Cerca de 180 famílias de sem-terra esperam pelo parecer do Incra em um acampamento provisório, a 10 quilômetros da fazenda.
A proprietária da Fazenda Santo Antonio, Maria da Luz Alves de Araújo Viana, disse que está disposta a oferecer parte da terra ao Incra. Porém, ela exige a desocupação como condição para negociar com o movimento.
No final da tarde de ontem, porém, o MST mantinha a decisão de ficar na terra até que o Incra se manifeste a favor da desapropriação da fazenda.
O deputado federal Roque Zimermann (PT) está atuando como interlocutor entre os sem-terra e o verdadeiro exército de policiais militares que tomou conta da área ocupada. Em um clima de muita tensão, o 1º Batalhão da Polícia Militar de Ponta Grossa passou o dia negociando a saída dos sem-terra da fazenda.
Mais de 60 homens da PM, fortemente armados e com a ajuda de cães, impediram que a invasão se propagasse por toda da fazenda.

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