Grades e pilaretes de concreto não fazem necessariamente parte da estética de uma residência, mas a violência urbana tem feito com que cada vez mais esses itens integrem a paisagem.
Na loja da comerciante Grace Koatutsu, na Avenida Maringá (Zona Oeste de Londrina), há aproximadamente dois anos pilaretes de concreto passaram a integrar a fachada, de modo a evitar que um carro possa ser usado para arrombar a loja.
''Tivemos um sinistro aqui e a seguradora recomendou que alterássemos algumas coisas, de modo a dificultar a ação dos bandidos. Assim optamos por colocar os pilaretes na direção da porta e essa floreira, também de concreto, na direção da vitrine. A noite também colocamos uma corrente esticada na frente da loja toda. Não tivemos redução no valor do seguro, mas tudo que puder ser feito para dificultar os roubos, nós fazemos'', contou.
Segundo ela, alguns comerciantes da região inclusive estavam tendo problemas na hora de fazer o seguro do estabelecimento, por causa das características da avenida, onde muitos pontos ficam desertos durante a noite.
Na mesma avenida, os proprietários de uma loja de informática também optaram pelos pilaretes na frente do estabelecimento, mas ao invés do concreto, optaram por trilhos de trem para reforçar a segurança. Ney Viana, funcionário, afirmou que os trilhos foram uma sugestão da arquiteta, ainda durante a obra.
''Tem dois metros para baixo do nível da rua. Sei que o investimento ficou mais caro do que a pintura da fachada que é toda diferenciada, mas amigos de outras lojas do mesmo ramo nos recomendaram ter uma segurança reforçada. Quando a seguradora veio fazer a vistoria, estava tudo pronto'', justificou.
Um corretor de seguros que não quis se identificar contou à FOLHA que em geral as companhias fazem sugestões para melhorar a segurança no estabelecimento. ''É feita uma inspeção prévia no local para avaliar a vulnerabilidade, inclusive para aceitação ou não do risco. Quanto mais vulnerável for, maior deve ser o preço a ser cobrado, sendo que a empresa pode se recusar a fazer a cobertura'', contou. Ele acredita entretanto que a maioria das pessoas que optam por essas alterações a fazem por conta própria e não por recomendação das seguradoras.
Escadas
Um outro problema geralmente conhecido apenas por moradores e vizinhos é o uso das escadas dos prédios durante as noites e madrugadas. A escadaria de um prédio comercial na esquina da Avenida Higienópolis com a Rua Sergipe, Centro, foi palco recentemente de um homicídio. Benedito Lepri, síndico do condomínio, conta que há tempos se busca uma solução para o problema e que mesmo após o ocorrido, os jovens ainda frequentam o local.
''Eles ficam durante as madrugadas dos finais de semana bebendo, brigando, usam drogas e até fazem sexo nas escadas. Várias vezes já achamos drogas. Pensamos em fechar as escadas com grades, mas iria atrapalhar as lojas do térreo, cujas vitrines ficariam sem visibilidade. Pensamos também em um muro de vidro, mas tem o problema de sujar muito. Outra opção é tirar a escada e deixar apenas um jardim'', pondera.
Por enquanto ficou decidido que será colocada uma corrente para caracterizar propriedade particular, mas a intenção é contratar vigilantes armados. ''Estamos fazendo algumas consultas para saber se é viável. Por enquanto conversamos com o dono do posto em frente e pedimos que eles parem de comercializar bebidas alcoólicas, mas ainda não sei se seremos atendidos.''
Bem no Centro, em frente à Concha Acústica, outro condomínio, desta vez residencial, enfrentou problema semelhante. Há aproximadamente três anos os condôminos optaram por fechar as escadas da entrada do edifício com grades. O síndico, Hélio Raphael Fabo, conta que alunos de um cursinho que funcionava na Galeria Vila Rica saiam da aula e usavam o local para tomar lanche e namorar.
''Nem todo morador foi favorável, acharam que ficou parecido com uma prisão, mas resolveu o problema. Também colocamos grades e portões duplos na garagem e na entrada do edifício, além de grades em uma outra área interna que faz divisa com o prédio que abrigava a Secretaria de Cultura. Gastamos cerca de R$ 10 mil mas pelo menos nos sentimos um pouco mais seguros'', justifica.

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