Segurança, diversão e aconchego
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Casa de avó sempre tem um clima diferente. Colo de avó não tem igual e sempre tem alguma comida que a vó faz que ninguém supera. Além disso, os avôs geralmente têm histórias para contar e dividem com os netos as pescarias e as artes que faziam quando eram pequenos. Este universo que envolve avós, bisavós e até trisavós encanta as crianças e hoje é o dia deles.
Aos 12 anos Eloisa Fernandes Lima tem uma relação de carinho e amizade com a avó Aparecida Fernandes, o avô Sebastião Fernandes e a bisavó Maria Cândida Silveira do Carmo. A menina disse que gosta de ficar na casa da avó e se diverte. ''Outro dia vim dançar com a bisa. Ela gosta de dançar forró.'' Apesar da idade de Maria Cândida, que está com 86 anos, Eloisa vê a convivência como uma grande brincadeira. ''Uma vez joguei volei com a bisa no sofá'', lembrou, para completar: ''e a minha avó faz um doce de leite caseiro que é imbatível'', completou.
O irmão dela, Jorge Henrique Fernandes de Lima Filho, de cinco anos, também se diverte na casa dos avós. Ele disse que lá pode brincar em cima da cama e entrar no guarda-roupas, coisa que em casa a mãe não deixa. Quem se diverte com tanta bagunça é o avô das crianças. Para Sebastião os netos são sinônimo de alegria. ''Aqui são eles quem mandam. Gosto de levá-los e buscá-los nos lugares e de contar que eu comia carne de paca e tatu quando era criança. A gente se diverte'', observou.
Aparecida se divide entre cuidar da mãe e dos netos e sabe que tem um papel importante na estrutura da família. ''Ao mesmo tempo que fico de olho na minha mãe, estou sempre à disposição dos meus filhos para ajudar com os netos. Todos moram perto da minha casa e isso facilita bastante'', disse. ''Somos quatro gerações e valorizamos muito esta convivência familiar'', acrescentou.
Para Rosimeire Custódio Fernandes de Lima, filha de Aparecida e Sebastião e neta de Maria Cândida, é importante a convivência de seus filhos com os avós e com a bisa. ''Nem todo mundo presta atenção nos idosos e esta é uma forma de ensiná-los a respeitar e cuidar dos mais velhos'', afirmou. ''Vemos famílias que não cuidam dos idosos e também avós que não gostam dos netos. Esta não é a nossa realidade. Aqui somos bem unidos e ajudamos uns aos outros.''
Um paraíso
A casa dos bisavós é o paraíso de Julia Araujo Silva, de cinco anos. A mãe dela, Fernanda Gomes de Araujo Silva, contou que durante as férias escolares a pequena dormiu apenas quatro noites em casa. ''Como moramos em frente à casa dos meus avós a Julia tem muito contato com eles, passou as férias inteiras aqui'', disse Fernanda.
Para os bisavós, a menina é a alegria da casa. A bisa Hilda Palma de Araujo disse que a bagunça é grande, mas logo acrescenta ''é tudo fácil de arrumar''. ''Nós gostamos de brincar de esconde-esconde; outro dia ela entrou dentro do cesto de roupa suja, eu fiquei procurando um tempão, já estava preocupada até que encontrei a Julia'', lembrou. O bisavô, Renato Silvestre Araujo, disse que na casa dele a pequena pode tudo. ''Ela mexe com a rotina de todo mundo'', disse.
O avô, Julio Cesar de Araujo, também tem filhos pequenos. Ele contou que quando as crianças se juntam é uma bagunça. ''Acho fundamental este contato das crianças com os avós, bisavós e até os trisavós.''
Falando em trisavô, Plácido de Castro Palma tem 95 anos e energia suficiente para brincar com a Julia. ''Eles gostam de jogar sinuca'', disse Fernanda. Conforme ele, existe um segredo para tanta vitalidade. ''Não pode parar de trabalhar e eu sempre fico muito alegre na companhia dos netos, bisnetos e da trisneta'', garantiu.


