Simone FrancoA assistente social do Hemepar, Luciana Buffaro Scharf, admite que, apesar da triagem rigorosa dos doadores, nenhuma transfusão de sangue é 100% seguraNenhuma pessoa que passa pelo atendimento de emergência nos hospitais do Paraná recebe uma transfusão de sangue com total segurança. A afirmação é de Clarice Calo, presidente do Grupo Pela Vida, organização não-governamental que apóia portadores do vírus HIV. Ela afirma que cerca de 100 pessoas - a maioria crianças submetidas a cirurgias - foram contaminadas com o vírus HIV no Paraná quando receberam sangue, após a instituição do controle dos bancos de sangue. ‘‘O Estado pode até negar, mas não consegue provar o contrário’’, afirma.
A assistente social do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), Luciana Buffaro Scharf, admite que, apesar da triagem rigorosa dos doadores, nenhuma transfusão de sangue é 100% segura. ‘‘Não há qualquer risco para o doador, mas as garantias para o receptor não são totais em nenhuma parte do mundo’’, diz.
Clarice Calo critica a polêmica levantada sobre a restrição ou não aos homossexuais de doarem sangue. ‘‘A discussão deve ser muito mais ampla’’, avalia. ‘‘A questão é que o governo, responsável pela qualidade do sangue, não consegue garantir que as pessoas recebam uma transfusão com segurança.’’
Clarice alerta que não importa a preferência sexual, mas sim a atitude. ‘‘Podemos pegar como exemplo o crescimento da Aids entre as mulheres casadas’’, diz. As tecnologias usadas para avaliar o sangue doado, alerta, é que devem ser discutidas.
Análise - As pessoas que procuram o Hemepar para doar sangue passam por uma entrevista com um médico, que faz uma avaliação com base em dados como doenças que a pessoa já teve, comportamento sexual, uso de drogas e estilo de vida. Cerca de 30% dos interessados são barrados nessa triagem clínica. O sangue dos que são aprovados é submetido depois a testes que identificam doenças como sífilis, Chagas, hepatite, Aids e alterações do fígado. ‘‘Usamos os kits mais eficazes disponíveis no mercado para fazer os testes e, caso apareça qualquer suspeita de alguma doença, o sangue é descartado.’’
O doador é orientado sobre os riscos da transmissão de doenças para outras pessoas. Depois, ele fica sozinho numa sala para responder se acha que o seu sangue pode ser usado ou não. ‘‘A bolsa de sangue é incinerada se a resposta do doador for negativa, mesmo que o sangue seja aprovado em todos os testes.’’, explica. ‘‘Usamos todos os métodos disponíveis para afastar os riscos de contaminação.’’ (A.V.)

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