Grades amarradas com arames retorcidos, roletas quebradas e obstruídas com entulho, placas entortadas. Além de feia, a face do Terminal Urbano de Londrina voltada para a Rua Benjamin Constant (Centro) é uma prova do vandalismo que se instalou no local e que acabou dificultando a vida dos usuários.
Dificuldade que pode se tornar ainda maior caso o custo dos consertos e do combate aos vândalos seja repassada à já salgada tarifa de transporte coletivo. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) está tentando firmar parcerias com as duas empresas concessionárias do transporte para contratação de seguranças e instalação de câmeras no Terminal. Por enquanto, não se sabe se isso terá impacto no bolso dos passageiros.
Vendedores de lanches que trabalham junto ao muro do Terminal, na Benjamin, denunciam que a destruição de grades e das quatro catracas de saída é executada por jovens e adultos que querem entrar sem pagar ou danificam ''por maldade''. ''Acontece à luz do dia. Eles vêm em bandos de três ou quatro e forçam as roletas até destruir. A gente não fala nada, para não mexerem com a gente'', contaram vendedores, sem se identificar.
Um funcionário do Terminal contou que vândalos entram até por buracos abertos nas grades. Em número pequeno, até os fiscais têm medo de reagir. Enquanto isso, passageiros se vêem obrigados a sair pelos mesmos acessos dos ônibus, correndo o risco de ser atropelados.
O diretor de transportes da CMTU, Wilson Jesus dos Santos, acredita que a destruição também seja praticada na tentativa de passar mercadorias para os vendedores ambulantes que atuam dentro do Terminal. Embora proibida, a comercialização de alimentos no local conta com grande número de adeptos. ''Acreditamos que haja grandes fornecedores desses produtos, pois sozinhos os ambulantes não teriam fôlego para repor os estoques. São até quatro apreensões por semana'', diz.
Segundo Santos, a CMTU vem mantendo as roletas da Benjamin fechadas desde março, enquanto estuda formas de coibir o vandalismo. Uma delas seria o uso de um material mais resistente. Outra é a contratação de seguranças, ''três ou quatro por turno'', medida que poderia custar entre R$ 10 mil e R$ 12 mil por mês, conforme o diretor. Também já é dada como certa a instalação de câmeras - de 24 a 36 - para cobrir 100% do Terminal, projeto que deve ser finalizado ainda este neste semestre. O custo varia de R$ 37 mil a R$ 50 mil.
''Se a CMTU conseguir que as empresas (concessionárias) paguem integralmente os seguranças e as câmeras, não será preciso licitação. Será um custo a mais, mas é hora de entendermos que há um valor maior em jogo, que é a tranquilidade dos usuários'', justifica Santos, que diz sentir uma disposição das empresas em não repassar os custos para a tarifa. ''Se em função da insegurança no Terminal as pessoas procurarem outros meios de transportes, iremos na contramão dos esforços para conquistar usuários.''

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