Segurança consome boa fatia da renda
Silvana Leão
De Londrina
Seguro de vida, da casa, do carro, do prédio onde funciona o negócio da família. Alarmes onde for possível instalá-los. Cada vez mais, os investimentos ligados à segurança consomem uma parte representativa dos rendimentos da classe média brasileira, que já não pode dormir tranquila apenas com um cachorro barulhento no quintal. Mesmo com a população pagando altos impostos que teoricamente deveriam garantir a segurança de todos , ninguém mais contesta a importância de fazer um bom seguro.
O casal de empresários Lilian Mara Esper e Gilberto Gutierrez Ferreira destina cerca de R$ 4,6 mil por ano em segurança. Sem falar nos alarmes, já instalados nas duas lojas de confecção da família e nos dois seguros de vida, que a empresária nem sabe direito quanto estão custando. Decidimos fazer tudo isso por precaução, afirma Lilian Esper. Ela explica que além dos seguros da casa, das lojas e dos dois carros (só aí vão R$ 1,8 mil por ano), paga vigias para cuidar da casa dia e noite (R$ 105,00 por mês) e de uma das lojas durante a noite (R$ 25,00 por mês).
Na opinião da empresária, a segurança pública hoje em dia é falha, por isso a melhor opção são os seguros. Pelo menos assim a gente pode deitar e dormir um pouco mais tranquila.
O comerciante Wanderley Rosignoli Nápoli acaba de investir mais R$ 230,00 para tornar mais sofisticados os alarmes de sua residência, assaltada no último dia 9. Estou introduzindo um sistema de infra-vermelho, que detecta qualquer movimento dentro da casa, e um sensor de contato no alçapão, que eu acho importantíssimo. Segundo o comerciante, o sistema antigo que havia custado em torno de R$ 250,00 permitiu que os ladrões entrassem na casa pelo telhado.
Nápoli acha que se tivesse instalado desde a primeira vez um sistema mais sofisticado, não teria tido a casa invadida. É uma sensação horrível, passamos a não ter mais sossego. A gente tem que fazer a própria segurança, diz, lembrando que incentivou toda a família a fazer seguro e colocar alarmes. No caso do seguro, pelo menos depois a gente é ressarcido. Ele calcula que cerca de 4% de sua renda anual seja investida em segurança e plano de saúde.
O comandante em exercício do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, major Manoel da Cruz Neto, diz que são válidas as iniciativas que, somadas ao trabalho da polícia, ajudam a inibir os crimes na cidade. Ele ressalta, porém, que além deste aparato todo é muito importante o entrosamento entre vizinhos, que podem ajudar a evitar os assaltos a residências. Devemos fazer de tudo para dificultar ao máximo a ação dos marginais.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, concorda com o comandante da PM e lembra que os seguros garantem o ressarcimento do valor do bem não apenas nos casos de roubo, mas também incêndios e acidentes, por exemplo. Já no caso dos alarmes, é bom porque dificulta o roubo.
Fernandes afirma que houve diminuição nos crimes na cidade nos últimos dias, tanto que ainda não foi registrado nenhum homicídio este mês. O delegado admite que seu carro tem seguro contra roubo, como o de quase todo mundo hoje em dia.Medo de assaltos e arrombamentos obriga famílias a investirem em equipamentos, animais e seguros contra roubos
César AugustoMEDOComerciante Wanderley Nápoli, sob o alçapão da casa onde mora: sistema de alarme sofisticado depois de ter a casa arrombada





