Segurança capacitada na porta de casa
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segunda-feira, 01 de setembro de 2008
Carolina Gabardo Belo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Eles são os responsáveis pelas boas-vindas aos visitantes que chegam aos condomínios. E simpatia não é o único requisito para os porteiros. Eles também cuidam da segurança dos locais onde trabalham e têm um papel fundamental nessa função.
O porteiro é a pessoa responsável por fazer a triagem daquilo que pode ou não entrar no condomínio. Ele tem uma importância relevante e é preciso que tenha um treinamento muito bom. O recrutamento desta mão-de-obra também precisa ser muito bem feito, afirma o especialista em segurança Jorge Fernandes. Diversas organizações ministram o curso de formação de porteiro em Curitiba. Entre elas, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), que em pleno sábado de manhã tem a sala de aula cheia de gente interessada em aprender como cuidar bem da entrada de um condomínio.
Vim participar para o aperfeiçoamento da profissão, diz Samuel dos Santos, que trabalha na área há quatro anos.
No curso, os profissionais aprendem sobre apresentação pessoal, qualidade no atendimento, relacionamento com os moradores e visitantes, recepção, vigilância, equipamentos eletrônicos e segurança. A principal orientação que o instrutor do curso dá é em relação à triagem que o porteiro faz na entrada. Ele não deve permitir que ninguém entre sem uma investigação prévia. O porteiro precisa fazer perguntas, ver se realmente o serviço foi solicitado, cadastrar nome, telefone, a empresa onde o fornecedor trabalha, explica Marlon Renê Guerreiro, que ministra curso de formação de porteiro há dez anos.
Fernandes afirma que a principal falha na segurança cometida pelos porteiros é a rotina. De acordo com ele, os profissionais aprendem quais são os procedimentos corretos para a segurança, mas no dia-a-dia acham que nada pode acontecer. Um exemplo são os fornecedores, que se tornam conhecidos dos porteiros e moradores e têm acesso livre ao interior do condomínio. Esse é um erro gravíssimo, é o principal erro cometido. O ideal é que o morador recepcione o fornecedor na portaria ou faça agendamento prévio nas suas manutenções nos apartamentos, indique a empresa e se possível os funcionários que vão comparecer, para que o porteiro saiba quem vai fazer a manutenção, explica o especialista.
Porteiro há oito anos, João Lima participou de um curso por iniciativa própria. O interesse inicial era trabalhar na área de hotelaria, mas devido à formalidade exigida, escolheu trabalhar na portaria de condomínios. Há quatro anos encontrou em um prédio no bairro Portão um ambiente de trabalho mais descontraído. Ele acredita que a preocupação com a segurança varia de acordo o perfil do condomínio. Em outros lugares que trabalhei a segurança era paranóica. Aqui não tem problema, o único caso que tive conhecimento foi interno, entre os próprios moradores. Também nunca tivemos problemas com os prestadores de serviço, que são conhecidos e de confiança, conta.
Mesmo com a proximidade com os forncedores, o outro porteiro do condomínio, Gilberto Filadelfo, afirma que só entram no local os visitantes autorizados pelos moradores. Senão, não passa da portaria, diz.
No condomínio em que trabalham, a estrutura física facilita o contato imediato entre porteiro e visitantes, que Fernandes considera longe do ideal. O porteiro não deve ter contato próximo com as pessoas e o visitante não pode ter acesso imediato ao condomínio. O porteiro precisa ficar em um local sem contato visual com os visitantes, com uma película e de preferência um vidro blindado. O ideal é que a conversa seja feita por um porteiro eletrônico, diz. Nos casos onde não há este tipo de estrutura, o especialista orienta que o porteiro mantenha distância dos visitantes no contato inicial.


