Londrina - "Atenção. Local sendo invadido. A segurança está sendo acionada". É através desta mensagem e o som alarmante da sirene que os moradores do Jardim dos Alpes, na zona norte de Londrina, garantem um pouco mais de segurança no bairro. Já na região oeste, os moradores amenizaram a sensação de insegurança por meio de câmeras de vigilância, instaladas em toda a rua.
Esse cenário "cercado de proteção" não é mais limitado às classes mais favorecidas. Ao longo dos anos, a violência urbana tem "forçado" a população em geral a fazer investimentos em segurança, já que muitas vezes sente na pele a fragilidade do serviço público.
Uma pesquisa realizada em 137 municípios brasileiros em fevereiro deste ano aponta que o assalto a mão armada é o tipo de violência mais temida entre os dois mil entrevistados. Em seguida aparecem o roubo seguido de morte e roubo a residência. Os dados foram colhidos e analisados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e mostraram ainda que, para 76,8% das pessoas, a violência urbana aumentou nos últimos anos.
No final de 2012, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou que em dez anos a segurança privada cresceu 74% no Brasil e que a população gasta cerca de R$ 40 bilhões com seguro e contratação de trabalhadores em segurança.
A fisioterapeuta Claudiane Geremias investiu R$ 1,2 mil para instalação de cerca elétrica, câmera de segurança e alarme. "Além disso, tenho dois cachorros, portão eletrônico e tomo os cuidados na hora que chego em casa à noite. Dou uma volta no quarteirão antes para ver se não há ninguém suspeito", comenta.
Moradora há 18 anos do Jardim dos Alpes, Claudiane também paga mensalmente R$ 40 de seguro residencial. "A gente tem que se enjaular hoje em dia. Eu sei que quando eles (ladrões) estão decididos a roubar ou assaltar não há muito o que fazer, mas é a forma que encontrei para me sentir um pouco mais segura", desabafa.

Agilidade
Todas essas medidas foram tomadas após Claudiane sofrer dois furtos. Um no quintal de casa e outro no carro da família, estacionado em frente à residência. A ideia da sirene surgiu com a ação "Vizinho Solidário", espalhada em outras regiões da cidade.
Preocupada em garantir uma medida mais ágil e eficaz, Claudiane teve a ideia de trocar os apitos pelas sirenes e arrecadou dinheiro por toda a rua. A cada dez residências, um equipamento foi instalado e o acionamento é feito por controles semelhantes ao de alarme de veículos.
Ao escutar o "sinal" toda a vizinhança sai das casas e diante de uma atitude suspeita, avisam a polícia. "Depois que colocamos as sirenes, houve uma diminuição no número de roubos. Na verdade, não acho o bairro violento, mas como em todo lugar, há pequenos roubos e furtos que acredito ser para trocar em drogas", diz.
No Jardim Santa Rita, na zona Oeste, os moradores também tiraram dinheiro do próprio bolso para adquirir e instalar câmeras de segurança pelas ruas. Uma moradora que não quis se identificar contou que há um ano sofreu um assalto no portão de casa, em plena luz do dia. "Todos os moradores se uniram e resolveram colocar as câmeras. Ajudou muito porque, mesmo não sendo 100% seguro, já inibe um pouco a ação dos ladrões", comenta.
Além do equipamento eletrônico, a casa possui cachorros, muros altos e cerca elétrica. "Tem que investir, não é?", ironiza. Nos dois casos foi citado que as rondas policiais não garantem total segurança à população. Dessa forma, é possível dizer que a sensação em ambos bairros é de que o serviço público deixa a desejar em termos de cobertura.

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