Polícias Civil e Militar pedem socorro: não conseguem trabalhar sem dinheiro. Recursos do Funrespol e FunPM estariam sendo desviados para outras funções
Falta de combustível em viaturas policiais, armamentos defasados, prédios públicos locados para o uso da polícia e que não estão sendo pagos pelo Estado, deficiência na alimentação de presos em cadeias.
Este é o retrato do setor de segurança pública do Paraná. Enquanto as polícias Civil e Militar pedem socorro e aguardam a liberação de recursos do Fundo Especial de Reequipamento Policial (Funrespol) e do Fundo de Modernização da Polícia Militar (FunPM), o Estado anuncia redução de gastos mensais com segurança na ordem de 40%.
‘‘As polícias terão que se adequar à nova realidade’’, afirmou José Tavares, secretário de Estado de Segurança Pública, em reportagem da Folha publicada no dia 19 de julho. Na oportunidade, ele afirmou que o Estado iria se adequar, mas sem prejuízos para a alimentação de presos e para a distribuição de combustível.
Apesar do discurso, as delegacias – principalmente do interior do Estado – reclamam da falta de gasolina para as viaturas. Um documento encaminhado para a Folha mostra uma solicitação do delegado Antonio Pedro da Silva, da Delegacia de Itambé (37 km ao sul de Maringá), datada de julho deste ano, pedindo o pagamento de combustível junto ao Posto R. R., da Firma Rampelotti & Rampelotti Ltda.
No ofício, o delegado informa que não foram pagas as faturas anteriores relativas aos meses de outubro a dezembro de 1999 e de março a maio deste ano.
O problema da falta de combustível é compartilhado pela delegacia de Guaíra, no Oeste do Paraná. O delegado Roberto Fernandes vive problemas com as viaturas, que estão sem gasolina e precisando de reparos mecânicos. ‘‘Temos que fazer mágicas’’, declarou ele, ao contar que o dinheiro do Funrespol está em atraso.
Em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, o uso de combustível também é restrito. ‘‘O combustível foi cortado. A delegacia tem uma dívida de R$ 14 mil com o posto da região. Agora temos que abastecer em Curitiba’’, reclamou o delegado Nasser Salmen, titular em Pinhais.
Na Polícia Militar, a situação também é grave. Segundo o coronel Elizeu Furquim, presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares Ativos, Inativos e Pensionistas (Amai), as viaturas e motonetas da corporação estão ficando paradas nos pátios dos quartéis e batalhões.
Dos quatro mil veículos próprios da Polícia Militar, cerca de 25% estão parados por falta de manutenção. ‘‘Há um verdadeiro cemitério de viaturas em nossos quartéis. Não é feito o pagamento para gasolina e manutenção dos carros. A situação beira ao caos’’, declarou ele.

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