Autoridades de segurança e representantes da sociedade civil estão convencidos de que a implantação de uma Guarda Municipal pode ser a peça-chave para reduzir a criminalidade em Londrina. Embora o prefeito Nedson Micheleti (PT) tenha rechaçado a idéia em várias ocasiões, a discussão permanece viva diante da sensação de insegurança no município. O secretário de governo, major Adalberto Pereira, rebate com o anúncio da contratação de uma empresa de vigilância, que deve começar a atuar já na semana que vem.
''Sou completamente favorável à criação da Guarda Municipal. Tenho informação de que em municípios onde ela foi implantada, o trabalho está sendo excepcional'', opina o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Luiz Barroso. Enquanto os defensores da iniciativa costumam buscar em São Paulo exemplos de sucesso, como o município de Diadema, Barroso menciona um caso aqui mesmo, no interior do Paraná.
É a Guarda Municipal de Foz do Iguaçu, que em 12 anos de serviço extrapolou suas funções originais e passou a cumprir também ações de polícia, ajudando a combater a criminalidade em geral. Somente neste ano, até o mês passado, a corporação apreendeu mais de duas toneladas e meia de drogas, retirou 123 armas de circulação e recuperou 84 veículos, segundo dados da Secretaria Municipal de Cooperação para Assuntos de Segurança Pública. No total, foram atendidas 8.103 ocorrências.
O departamento dispõe de uma megaestrutura, com 310 guardas armados, 20 viaturas, 50 motocicletas e uma central de operações. É impossível não pensar o que Londrina - tão carente de policiamento, embora o Estado não admita - poderia fazer se tivesse pelo menos parte desse contingente. Evitar crimes contra o patrimônio público, por exemplo.
É só lembrar quanto dinheiro do contribuinte já foi gasto na reposição de lâmpadas, cabos telefônicos, floreiras e outros bens furtados pelas ruas. ''Foz do Iguaçu já passou muito por isso, mas ultimamente não temos esse tipo de ocorrência. Podemos nos preocupar com outras coisas'', diz o inspetor de área da guarda municipal de Foz, Josnei Fagundes. Creches, escolas, unidades de saúde e outros órgãos da prefeitura também são alvos constantes de ladrões e vândalos.
''A Guarda seria muito útil para Londrina. Só o fato de haver guardas tomando conta dos bens próprios do poder público, do trânsito, já desonera a Polícia Militar (PM) para o serviço ostensivo'', aprecia o delegado-chefe. O comandante do 5º Batalhão da PM (BPM), tenente-coronel Joacyr José da Silva, também apóia a idéia. ''Seria uma força a mais a serviço da segurança. Ela poderia atender a alguns eventos públicos e assim a PM usaria apenas um número mínimo de policiais para esses fins'', assinala.
Barroso rejeita o argumento, várias vezes repetido pelo prefeito à Folha, de que ''segurança pública não é responsabilidade do Município''. ''É fácil dizer que a obrigação é do Estado. Na verdade, é de toda a sociedade. A Guarda seria um investimento social'', avalia.
A opinião é compartilhada pelo presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Nelson Brandão. Junto com representantes de 70 entidades do município, ele elaborou o ''Plano de Segurança para Londrina'', entregue ao governador no primeiro semestre. Brandão afirma que a implantação da guarda municipal foi incluída em uma carta paralela ao documento, já que não é da alçada do Estado, mas que é um dos pontos mais defendidos pelo grupo.
''Nós temos certeza que seria bom. O prefeito fala que não tem condições financeiras de fazê-lo, sem sequer ter feito um estudo. Será que não pode mesmo?'', questiona o presidente do Ceal. Ele diz que as entidades decidiram tomar a dianteira e pediram um levantamento à Associação de Escola Superior de Guerra (Adesg) sobre os custos da iniciativa. ''Eu sou muito menos responsável pela segurança pública do que o prefeito e estou me envolvendo. O Município não está levando a questão a sério.''

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