A professora Maria da Penha, moradora do jardim Igapó, zona sul de Londrina, esperou chegar o período de férias para poder ir ao médico. A consulta no Instituto de Previdência do Estado (IPE) aconteceria na semana passada. Mas ela acabou tendo que desistir depois de ser informada pela secretária do instituto que os laboratórios credenciados não estavam fazendo os exames. ‘‘No meu caso, como havia necessidade de coletar material para o exame, que não está sendo feito, nem fui atendida.’’
Maria da Penha disse ontem que, diante do problema, a secretária ainda tentou ser agradável. ‘‘Ela disse que sentia muito e que eu não era a única.’’ Mas a professora não aceita a situação. ‘‘Todo mês vem descontado do salário do meu marido a contribuição para o IPE. Onde está esse dinheiro?’’, afirma Maria da Penha. O marido dela é funcionário da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O coordenador do IPE em Londrina, Marcelo Mendonça, esclareceu que não há atraso no pagamento aos laboratórios. ‘‘Está tudo em dia’’, ele garante. O problema, segundo disse, deve-se à determinação do Departamento de Convênios da Associação Médica de Londrina (AML). ‘‘Os laboratórios não estão atendendo o IPE e os outros 37 convênios que não estão pagando a nova tabela de preços da Associação Médica Brasileira (AMB).’’
Marcelo Mendonça lembra que o atendimento laboratorial só está sendo prestado para os conveniados com a Cooperativa do Trabalho Médico (Unimed), Hospitalar e Caixa de Assistência e Pensões dos Servidores Municipais de Londrina (Caapsml). Ele afirma que o IPE vem tentando negociar com a Associação Médica de Londrina o cumprimento da tabela da AMB de 1992. ‘‘Temos uma situação diferente porque o IPE é um instituto que não visa lucro e que é do Estado.’’
Mendonça afirma que, se as negociações com a AML não evoluírem, em último caso poderá ser firmado convênio com os laboratórios da região, interessados em atender os cerca de 45 mil servidores de Londrina e municípios próximos. Segundo o coordenador, o IPE tem prestado uma média de 5 mil exames por mês. ‘‘Temos interesse em negociar com a Associação Médica’’, diz Mendonça. ‘‘Entendemos que os servidores não podem ficar sem atendimento.’’

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