A quantidade e incidência de roubo de cargas nas rodovias brasileiras fez com que as seguradoras restringissem a cobertura para as transportadoras. Hoje, as empresas de seguro fazem várias exigências para cobrir determinadas cargas e existe lista de produtos, que por serem muito visados pelas quadrilhas especializadas, não tem como ser segurada.
O vice-presidente da Pamcary Seguros, de São Paulo - uma das maiores empresas especializadas em seguro de transporte de cargas do Brasil -, Artur Santos, disse que a situação dos roubos de cargas é muito ruim. Desde 1993, o número de ocorrências nas rodovias brasileiras vem crescendo. Em 96 foram cerca de 3.200 ocorrências em todo o país; em 97, cresceu para 3.600. ‘‘Só este ano já foram registradas ocorrências em torno de 2.300. Em termos de prejuízos, 96 e 97 somaram aproximadamente R$ 600 milhões só com roubo de cargas’’, salientou.
Por causa deste número crescente, as seguradoras estão procurando restringir as coberturas. ‘‘Na impossibilidade de cobrar mais do segurado, as seguradoras preferem restringir os clientes. Há exigências que vão desde a documentação de idoneidade da empresa, até o sistema de rastreamento dos caminhões por satélite e escolta armada’’.
O custo do seguro de determinadas cargas é muito grande e, quando não é repassada ao cliente, acaba ficando com o transportador ou com o fornecedor. Artur Santos disse que existem cálculos que demonstram que o que se paga em seguro e medidas preventivas contra assaltos gira em torno de 10% do faturamento bruto das transportadoras.
Entre os produtos mais visados pelos assaltantes, Santos cita os cigarros, medicamentos, eletroeletrônicos, tecidos, confecções, pneus, calçados, tudo que tenha colocação rápida no mercado. Entre os gêneros alimentícios, estão restritos de seguro as cargas de café e carne. ‘‘Hoje há a impunidade para as quadrilhas que se especializam neste tipo de assalto. E estes produtos não são repassados ao mercado negro, mas no comércio legalmente estabelecido’’, ressaltou.
Para reverter a situação, as seguradoras tentam equilibrar a aceitação com outros tipos de seguros, como acidente dos caminhões. No entanto, a receita é insuficiente para que no final a seguradora tenha um resultado positivo.
Artur Santos citou que do total de roubos de cargas no Brasil, 80% acontece dentro dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, isso não quer dizer que se restringem somente às empresas destes Estados, atingindo transportadoras de todo o Brasil.

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