Os 20 meses sem receber nenhum reajuste salarial e as péssimas condições de trabalho são os principais motivos que levaram os agentes do sistema penitenciário paranaense a cogitarem uma greve por tempo indeterminado, que poderá ser deflagrada numa assembléia que acontecerá hoje, às 17h30, em Curitiba.
Os dois mil agentes, administrativos, técnicos e enfermeiros que atuam nas dez unidades penitenciárias do Estado estão insatisfeitos, segundo explicou o presidente do Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário, Ismael Salgueiro Meira. Deste total, 65%, ou 1.300 servidores, são agentes penitenciáriosá - ou carcereiros .
A proposta da classe, que já foi encaminhada à Casa Civil, sugere 65% de reposição salarial, implantação de um plano de cargos e salários, gratificação incorporada à aposentadoria e melhorias nas condições de segurança e higiene das unidades penais.
‘‘É do conhecimento de todos as péssimas condições de vida oferecidas aos presos, mas ninguém fala sobre a dos agentes penitenciários, que é pior’’, disse Meira. ‘‘Trabalhamos em pé, num péssimo ambiente, convivendo com presos perigosos que, muitas vezes, são portadores de doenças infecto-contagiosas.’’
Os menores salários mensais, segundo ele, são de R$ 250,00. ‘‘Alguns agentes chegam a trabalhar 260 horas mensais’’, denunciou.
Segundo ele, os baixos salários são generalizados. ‘‘Alguns ganham um pouco mais porque contam com gratificações.’’ A categoria está protestando pelo fato de que os salários reais não são registrados em carteira e não são computados na aposentadoria. ‘‘Queremos reajustes verdadeiros.’’

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