Segundo grau vai ter ensino mais próximo ao cotidiano de alunos
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Anna Camanducaia 
A reciclagem de professores é o ponto principal para a aplicação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) para o ensino médio (segundo grau). O Ministério da Educação e Cultura (MEC) está trabalhando em parceria com os Estados para informar os professores sobre a LDB e adequá-los à nova prática de ensino.
Ontem o diretor do Departamento de Desenvolvimento de Educação Média e Tecnológica do MEC, Bernardes Martins Lindoso, esteve em Curitiba para fazer palestra aos diretores de escolas de ensino médio, no Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe).
As escolas brasileiras já estão aplicando parte das novas exigências, segundo Lindoso. As principais mudanças do ensino médio são interdisciplinaridade e contextualização. Hoje, as ciências são trabalhadas de forma desarticulada, como era no século passado, disse Lindoso. Assim, o raciocínio do aluno fica muito compartimentado, sem noção do conjunto.
Relacionar as ciências com o dia-a-dia e as tendências atuais também é importante para formar o cidadão. A LDB deve acabar com a antiga ênfase às fórmulas. Hoje, se perguntarmos a um jovem que termina o ensino médio qual é o processo da telefonia celular, ele não saberá dizer, afirmou.
Em pesquisa feita pelo MEC, alunos disseram que a Química seria uma das matérias desnecessárias no currículo do ensino médio - prova da falta de contextualização. Como os alunos podem dizer que a Química não tem nada a ver com a vida deles se tomam banho com água clorada e com um produto químico que é o sabonete?, disse Lindoso. As pessoas vivem cercadas de fenômenos químicos. O problema é que hoje o aluno estuda para passar de ano.
O ensino profissionalizante também muda com a LDB. Antes ele era apenas um apêndice do ensino médio, agora será independente. As habilitações do ensino profissionalizante são as mesmas há 25 anos.
Pela nova lei, os cursos técnicos terão flexibilidade para se adequar à realidade de cada Estado. A flexibilidade ocorre à medida em que o ensino se articula com o setor produtivo. O MEC estabelecerá as diretrizes para as áreas profissionalizantes, mas cada Estado organizará seus currículos de acordo com suas necessidades. Eles passam a ter mais liberdade, maior qualidade de ensino e maior garantia de empregabilidade e pequenos empreendimentos, disse Lindoso. As escolas têm que estar em sintonia com o mercado e tomar cuidado para não saturar determinadas áreas.
O curso profissionalizante agora será complementar ao ensino médio. Os dois poderão ser feitos em paralelo. O curso médio tem que ser obrigatório porque dá uma base mais forte para o aluno.


