Segunda vistoria do Incra preocupa dona de fazenda
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
Sid Sauer 
A proprietária rural Ilena de Souza Bórgio, 58, está com medo que a propriedade dela, a Fazenda Jerusalém, em Nova Cantu (130 km ao sul de Campo Mourão), volte a ser ocupada por sem-terra após uma nova vistoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). No ano passado, a Fazenda Jerusalém ficou em poder dos sem-terra entre julho e outubro e só foi desocupada vários dias depois que Ilena obteve uma liminar dando reintegração de posse. Ela é dona da área juntamente com o marido, Dino Bórgio.
Agora temos a informação de que o Incra vai fazer uma nova vistoria e estamos com medo, diz a fazendeira. Temos consciência que a propriedade é produtiva, mas na primeira vistoria o Incra entendeu diferente e a área acabou invadida. Ilena diz que já há rumores de uma nova invasão na cidade.
Ilena diz que ela e a família não sabem o que fazer para evitar uma eventual invasão. Não temos outra propriedade, ressalta. A Fazenda Jerusalém tem cerca de 600 hectares e está com a família Bórgio há 40 anos. A área é destinada à pecuária e à agricultura. Ilena acusa os sem-terra de terem matado 150 cabeças de gado, 130 porcos e 200 gansos.
Segundo Ilena, três filhos seus, já casados, moram na propriedade. Trata-se de uma área produtiva e sem dívidas com bancos, mas se o Incra já errou uma vez, pode errar de novo, diz. Ela já enviou várias correspondências ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao governador Jaime Lerner, mas ainda não obteve resposta. Alguém tem que fazer alguma coisa. Já passamos três meses terríveis e continuamos num clima de insegurança.


