Milton DóriaVontade de saberAnália Martins Meneghetti, 63 anos e aluna da Unati: ‘Quero aprender tudo que estiver a meu alcance’Os alunos da Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati) estão mostrando que a vida não acaba com a chegada da velhice. Ao contrário. A disposição deles deixa claro que a vida pode recomeçar depois dos 50. Foi assim com Dirce de Almeida Costa, 77, uma das ex-alunas do projeto de extensão da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que decidiu permanecer na Unati como monitora. A história se repete com Anália Martins Meneghetti, 63, uma das alunas da segunda turma da Unati que iniciou as atividades ontem.
‘‘Os idosos têm uma vivência muito grande. Praticamente construíram o País. E aqui um passa as experiências para o outro. É um convívio muito bom’’, resume Dirce. Segundo ela, depois da Unati sua agenda social está sempre cheia. ‘‘O relacionamento social é muito bom e a roda de amigos aumentou.’’
Supervisora de ensino em São Paulo, onde viveu até 1991, Dirce conta que sempre gostou de estar envolvida com o ensino. Ela afirma que só não fez o curso da terceira idade antes porque em São Paulo a universidade ficava muito longe de sua casa. A mesma dificuldade foi encontrada em Campinas. Outros 17 monitores vão colaborar com o desenvolvimento do curso que tem duração de dois anos. A intenção é que os monitores passem a trabalhar também nos bairros.
Depois de ter concluído o magistério com 50 anos, Anália teve que esperar mais 13 anos para voltar a fazer o que mais gosta - aprender. ‘‘Já choquei os pintinhos e agora é a minha vez’’, diz Anália. O sonho de Anália - que produz livros de histórias infantis e de poesias - era cursar Letras. Mas o cuidado com os quatro filhos e os netos acabou impedindo. ‘‘Resolvi esperar porque mesmo que eu tivesse 80 anos não acharia tarde. Agora quero aprender tudo que estiver ao meu alcance.’’ Ela revela que a vocação mesmo é para música. Ela está aprendendo teclado e dentro da UEL pretende conseguir a parte teórica da música.
A segunda turma da Unati começa o curso com 68 alunos inscritos, sendo 12 homens e 56 mulheres. A maior parte deles tem mais de 70 anos. Entre os homens está o aluno mais velho, com 80 anos. Com aulas duas tardes por semana, os participantes aprendem um pouco de tudo que se relaciona à terceira idade para promover o idoso na sociedade. O objetivo, de acordo com a coordenadora do projeto, Iolanda Lourenço Leite, é ‘‘quebrar o preconceito’’, gerando uma nova visão sobre a terceira idade.
Com o currículo readequado, a Unati vai abranger novas áreas como psicologia, ciências sociais, educação física e enfermagem. Isso além de administração, medicina (área clínica), educação e serviço social, que já estavam no projeto. Treze professores dão continuidade ao projeto, que nessa turma conta ainda com o trabalho de 42 estagiários de cursos da UEL.

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