De Curitiba
A segunda casa modernista do Paraná, localizada na Rua Presidente Taunay, no Batel, em Curitiba, não pôde ser tombada pela Secretaria de Estado da Cultura, por uma questão de horas. Em vez disso, ela começou a ser demolida na quarta-feira e, ontem, já estava completamente destruída. A ação gerou indignação entre os que lutavam pela preservação do imóvel e polêmica entre funcionários dos órgãos oficiais envolvidos na questão.
Na terça-feira, a Folha noticiou o movimento que arquitetos, professores e alunos de Arquitetura de Curitiba faziam e que criou um abaixo-assinado, datado de 12 de agosto, encaminhado à Secretaria de Estado da Cultura para tentar incluir a casa entre as unidades de preservação do Estado.
De acordo com a coordenadora de Patrimônio Cultural da secretaria, Maria Luiza Marques Dias, o documento só foi recebido no dia 24 e, anteontem pela manhã, o ofício pedindo o processo de tombamento do imóvel já havia sido entregue à prefeitura, ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e ao atual proprietário, supostamente a construtora Gustavo Berman, que teria adquirido a casa do ex-governador Paulo da Cruz Pimentel.
No entanto, o arquiteto Ayrton João Cornelsen, que projetou a construção em 1948, revelou que, por volta de 19 horas de anteontem, recebeu um telefonema anônimo de alguém que disse ser funcionário da prefeitura e admirador da sua obra, afirmando que recebera uma ‘‘ordem superior’’ para que fosse expedido o alvará de demolição do imóvel.
Informações da Secretaria Municipal de Urbanismo dão conta de que o alvará de demolição sob número 49162-B, em nome de Paulo da Cruz Pimentel, foi expedido na terça por instrução da Comissão de Segurança de Edificações da prefeitura, portanto, algumas horas antes do pedido de tombamento.
‘‘O proprietário, seja ele quem for, poderia ao menos ter levado em consideração nosso pedido de tombamento, pois ele teria amplas condições de recorrer, ou mesmo receber benefícios caso o imóvel fosse preservado’’, lamentou Maria Luiza Marques.
Para Ricardo Bindo, supervisor de planejamento do Ippuc, os proprietários se aproveitaram das manifestações preservacionistas e se adiantaram, conseguindo a autorização da demolição do imóvel, antes que ele fosse tombado.
O arquiteto Luís Salvador Gnoato, um dos subscritores do abaixo-assinado, considerou lamentável todo o acontecimento, mas tem esperança de que isto sirva para conscientizar a população da necessidade de preservar o patrimônio público. ‘‘Podemos passar de mártires a heróis’’, afirmou.

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