Segredos de um artesão
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de junho de 2003
Maigue Gueths<BR>Equipe da Folha 
Curitiba ''O segredo é combinar um fio da textura, um da beleza, um de lã para proteger do frio, sempre respeitando as cores da moda. Com isso, a peça vai ficar encorpada e a pessoa vai poder se sentir vestida com ela.'' É com essa simplicidade que o artesão Paulo Cesar Bravo define suas echarpes e xales, que confecciona manualmente, usando a técnica de tecelagem açoreana, aprendida há 40 anos com a mãe, rendeira de Florianópolis (SC).
As mantas de Bravo tornaram-se um dos chamarizes da loja Blanc, no PolloShop Alto da XV em Curitiba. Por mês, a vendedora Cintia Santos calcula que são vendidas cerca de 40 peças. A produção mensal de Bravo é quase o dobro. São 70 por mês, normalmente encomendadas por amigos. Cada peça consome quatro horas de um trabalho que exige muita paciência e bom gosto no entrelaçamento dos diferentes tipos de fios e nuances de cores.
''O fundamental é gostar do que se faz, o resto é automático'', resume. Bravo conta que é comum varar a noite sem dormir para fazer os xales, ''mas sempre com prazer''. Trabalhar de noite, aliás, é quase uma necessidade, já que além de trançar macramê e tecelagem açoreana, ele que é formado em educação física dá aulas na Associação dos Deficientes Físicos do Paraná (ADFP) e participa da Limite Companhia de Danças. Trata-se de um grupo formado em parceria da ADFP e Teatro Guaíra, cujos integrantes são adultos deficientes ou não.
Há quase 20 anos ele sofreu um acidente de carro e tornou-se paraplégico, tendo que se locomover com uma cadeira de rodas. Hoje com 48 anos, vê-se que o acidente não impediu que continuasse fazendo o que sempre fez. ''Continuei dando aula e sendo atleta, só que agora de esporte adaptado.''
Além de gostar do que faz, Bravo credita o sucesso de seu produto ao apoio que recebe da proprietária da loja, Danielle Macedo Teixeira, que cria os modelos vendidos. ''É como se fosse uma parceria. Ela dá toques sobre as cores a usar, os modelos, estilos, compra fios diferentes'', explica. A idéia da parceria, inclusive, nasceu em meio à dança, quando Danielle, que também é bailarina, conheceu Bravo e o convidou para vender suas peças na loja.


