O sentimento de rejeição, abandono e, até mesmo, os maus tratos fazem parte da histórias de muitas crianças que esperam pela adoção. É por esse motivo que a psicóloga Gisela Guilherme alerta sobre a necessidade de que os pais estejam preparados para a chegada da criança e sensíveis às necessidades dela. Segundo ela, investir na construção de uma relação de confiança é fundamental para oferecer condições para que a criança se sinta segura.
E a principal regra para o fortalecimento desse laço seria, segundo a psicóloga, o direito de conhecer sua história de vida. Segundo Gisela, muitas vezes, os pais mantêm esse segredo por medo de serem rejeitados e abandonados. ''Entretanto, o que geralmente se percebe é que a revelação da adoção intensifica a relação de confiança, amizade e amor entre pais e filhos'', explica.
''Já a manutenção do segredo gera ansiedade nos pais, pois vivem sob ameaça de ter a verdade revelada por meio de outras pessoas; e a criança, por sua vez, geralmente desconfia das informações referentes à sua origem, o que a faz sentir insegura, ansiosa e pouco valorizada pelos pais.''
A psicóloga explica que não existe uma idade certa para contar sobre a adoção. Mas o ideal é que a conversa aconteça o mais cedo possível e seja resgatada em vários momentos da vida da criança, porque isso contribui para que ela cresça encarando a adoção como algo natural e positivo na sua vida. ''Quanto mais se adia a conversa sobre a adoção, maior é o risco da criança receber a informação por meio de terceiros, o que pode levá-la a se sentir traída e enganada pelos pais'', diz. (F.C.)

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