Seed cede às pressões e muda o Proem
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terça-feira, 19 de novembro de 1996
Lorena Aubrift Klenk 
A Secretaria da Educação cedeu à pressão da bancada governista na Assembléia Legislativa e vai mudar o programa que acaba com a oferta de cursos de 2º grau profissionalizantes na rede pública de ensino. Depois de uma reunião de quase duas horas com deputados e o governador Jaime Lerner, ontem pela manhã, o secretário Ramiro Wahrhaftig anunciou que a adesão ao Programa de Expansão, Melhoria e Inovação no Ensino Médio (Proem) ficará a cargo de cada uma das 738 escolas de 2º grau existentes no Estado.
O fim da obrigatoriedade de adesão ao Proem foi a moeda utilizada por Wahrhaftig para conter a disposição da bancada governista de derrubar o programa em votação na Assembléia. É que hoje entra em votação o projeto de decreto legislativo que anula a decisão de extinguir as matrículas para os cursos profissionalizantes a partir de 1997.
O projeto é de autoria de dois deputados de oposição - Luiz Cláudio Romanelli (PMDB) e Ângelo Vanhoni (PT) -, mas deputados ligados ao governo ameaçavam aprová-lo caso a Secretaria da Educação não cedesse. Com a mudança anunciada por Wahrhaftig, o projeto deverá ser derrubado.
Durante a reunião de ontem, no Palácio Iguaçu, Wahrhaftig ainda tentou convencer a bancada que apóia o governo das vantagens do Proem. O programa, que será parcialmente financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), prevê a suspensão das matrículas para a 1ª série dos cursos profissionalizantes em todas as escolas já a partir de 1997. Os estabelecimentos de 2º grau passariam a ofertar apenas Educação Geral. Após os três anos do curso, os alunos poderiam optar por cursos pós-médios de caráter profissionalizante, com duração variável de seis meses a dois anos e oferta de vagas de acordo com a vocação de cada região.
Mas os argumentos do secretário não sensibilizaram os deputados, que vêm sofrendo pressão nas bases eleitorais pela manutenção dos cursos. Faltou mobilização da secretaria para discutir o projeto, mas nossas sugestões foram aceitas e vamos derrubar o projeto amanhã (hoje), disse o líder do PDT na Assembléia, deputado Valdir Rossoni.
Wahrhaftig acredita que a concessão feita aos deputados não vai comprometer o sucesso do Proem. Ele mostrou duas cartas de apoio ao programa assinadas por centenas de diretores de escolas públicas que participaram de um seminário de gestão escolar em Faxinal do Céu, em outubro. Tenho certeza que a grande maioria das escolas assinará o termo de adesão, disse.
De acordo com Wahrhaftig, as escolas que aderirem ao Proem terão prioridade nos investimentos que o governo pretende fazer no 2º grau. O Proem prevê a aplicação de US$ 222 milhões na expansão e melhoria do ensino médio nos próximos cinco anos. Os cursos atuais formam profissionais que não têm mercado de trabalho, afirma o secretário. Queremos investir prioritariamente naqueles que atendem às exigências da sociedade moderna e do mercado de trabalho.


