Seduzidas por promessas de altos ganhos
Existem casos em que a família ou amigos entram em contato com o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas no Estado do Paraná (NETP/PR)e alertam quando uma pessoa próxima pode ter sido vítima de tráfico. Às vezes, nem mesmo a própria pessoa reconhece o risco, por estar seduzida pelos ganhos financeiros, somados ao sonho de morar no exterior. "Temos dificuldade de falar de tráfico de pessoas. Elas não acreditam que possam tornar-se vítimas", alertou Sílvia Cristina Xavier, coordenadora do NETP/PR.
Em um dos casos, o núcleo atendeu uma família que estava preocupada que a filha fosse vítima do tráfico de pessoas. "Todos os passos indicavam que ela seria traficada, mas não conseguimos impedir. Ela encontrou alguém do exterior com quem se relacionou emocionalmente. Ele ofereceu sapatos, joias e um emprego de R$ 7 mil e ela acabou indo, mesmo sendo alertada", aponta.
"Temos dificuldade para mostrar que isso acontece perto da gente. A atividade movimenta cerca de R$ 30 milhões por ano no Brasil. O traficante coloca as vítimas para trabalhar e só tem a receber com o trabalho delas", destaca a coordenadora. Ela alerta ainda que é preciso conscientizar as pessoas porque o problema pode atingir qualquer um. "Atualmente, se questionarmos qualquer um sobre tráfico, a maioria pensa em drogas e não assimila que pode ser de humanos. As escolas não ensinam isso. É preciso criar uma cultura sobre o assunto", cobra.
Sílvia acrescenta que até em órgãos oficiais há resistências em admitir o problema. Segundo a coordenadora, existem casos de pessoas que são recrutadas por "coiotes" e que acabam trabalhando na construção civil em condições análogas a de escravos.(V.O.)





