Cantiga de ninar ao fundo, é hora de mamar. Mamãe Silvia Baldi e as gêmeas Heloisa e Beatriz já estão a postos para o momento mais feliz do dia do trio. ''O aleitamento é a prioridade da minha vida'', confessa a organizadora de eventos que escolheu colocar a carreira ''na prateleira'' para aprofundar o relacionamento com as filhas recém-nascidas.
''É um privilégio poder me planejar para amamentar'', conta Silvia, que dorme quando as meninas dormem, de dez a 12 horas por dia, para garantir a produção de leite. Ela vive uma situação ideal para qualquer mãe: tem o apoio de toda a família - o pai vai ao supermercado, a sogra prepara as refeições, mãe e marido cuidam da casa - para poder se dedicar exclusivamente ao aleitamento.
E a felicidade e o amor dedicados à amamentação das filhas Silvia transmite também para os bebês internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, que precisam de leite humano para se recuperar. Desde que as gêmeas nasceram, há dois meses, ela já doou quase um litro de leite para a maternidade do Hospital Evangélico. Todo dia ela coleta as sobras das mamadas em frascos que são esterilizados e entregues por ela mesma ao hospital.
A vontade de doar surgiu depois que a sobrinha de Silvia, Giovana, também recém-nascida, precisou de leite humano enquanto esteve internada numa UTI Neonatal. ''Ela nasceu com 26 semanas e apenas 745 gramas. Durante a internação dependeu muito de doações do banco de leite e quando foi para casa, vendia saúde.''
No pré-natal, Silvia fez curso de gestante e aprendeu tudo o que precisava para armazenar o leite antes de entregá-lo ao hospital. Para ela, no entanto, ainda há muita desinformação sobre a importância do aleitamento materno, por isso as doações não atendem à demanda dos bancos de leite. ''As mães esquecem que podem doar. É tanta coisa para fazer quando se tem um bebê em casa, mas é tão simples e fácil. É tão importante que o próprio hospital fornece o frasco e vem buscar.''
Silvia é personagem ideal para lembrar a Semana Mundial de Aleitamento Materno, que tem como tema, este ano, o apoio da família e amigos às mães. A campanha, que começou na última sexta e vai até amanhã, tem como slogan ''Amamentação: participe e apóie a mulher''. Foi só com o apoio da família que Silvia pôde se dedicar exclusivamente a alimentar as gêmeas.
Segundo a coordenadora do Banco de Leite do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Marcia de Oliveira, a demanda por leite materno na cidade segue a estimativa nacional. Apesar do País possuir o maior banco de leite mundial, com 190 unidades, o alimento atende apenas 50% dos bebês internados em UTIs. ''Se dobrássemos as doações seria possível atender à demanda.''
Em Londrina, 250 mães doam leite frequentemente não só ao HU, mas também aos postos de coleta, entre eles a Maternidade Municipal e as unidades de recebimento de Cambé, Arapongas e Apucarana. E o alimento é destinado primordialmente aos bebês internados nas UTIs Neonatal do HU e dos hospitais Evangélico e Infantil.
''Bebês prematuros, recém-nascidos de baixo peso, bebês que sofreram cirurgia pós-parto e até crianças imunodeprimidas e alérgicas a leite de vaca recebem doações do banco de leite'', informou Marcia, destacando que 25% do leite doado pelas mães é descartado após controle sanitário.
''Qualquer mulher que esteja amamentando e perceber uma sobra de leite pode ser doadora'', assinalou a coordenadora. Ser sadia, não usar drogas e de preferência não fumar completam os requisitos para a doação.
Ainda conforme Marcia, basta ligar para o Banco de Leite que a equipe vai até a casa da família para orientar sobre a coleta e o armazenamento. Além do frasco esterilizado, o hospital fornece um gorro e uma máscara para as mães. ''Quando buscamos o frasco cheio numa semana, já deixamos outro vazio'', completou a coordenadora, que também está sempre em busca de embalagens de vidro, com boca larga e tampa plástica.
Serviço- Para entrar em contato com o Banco de Leite do Hospital Universitário basta ligar para (43) 3371-2390.

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