Luciane Tonon
A sede da Associação de Desenvolvimento Comunitário de Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho) - Adeca, onde atualmente está funcionando a Escola de Educação Especial Recanto dos Anjos - Apae e a Escola Infantil Algodão Doce que, juntas, atendem cerca de 80 crianças, ainda não foi arrematada. O leilão, em segunda praça, aconteceu ontem pela manhã e somente a prefeitura se interessou. O município ofereceu 50% do valor do prédio, que equivale a R$ 32,5 mil, para ser parcelado em 60 vezes.
‘‘Não podemos deferir porque, pela jurisdição, não havia sido publicada a possibilidade de parcelamento. Sendo assim, terá que acontecer uma nova praça e quem sabe com mais interessados’’, explicou o leiloeiro oficial Marcos Thadeu de Syllos. Segundo ele, se a oferta fosse aceita, qualquer pessoa poderia questionar a não-divulgação sobre parcelamento.
O procurador de Abatiá, Admir Iraci Vilela, disse que o município tem muito interesse em adquirir o imóvel. ‘‘Devido a grande utilidade pública, que ele tem. São duas escolas, onde as crianças estão muito bem acomodadas’’, informou Vilela. O atual presidente da Adeca é o prefeito José Luiz Vosni (PDT).
O imóvel foi penhorado em função de uma dívida da Adeca para com o INSS, desde 1994, que hoje soma R$ 48.017 mil. Trata-se de uma área de 2,6 mil metros quadrados com prédio em alvenaria de 375 metros quadrados, localizado no centro de Abatiá. O valor total do imóvel é de R$ 61 mil.
O impasse da venda do prédio, tem incomodado a equipe da Apae e pais de alunos desde 15 de maio, quando houve a primeira praça de leilão. ‘‘Não sabemos se o adquirente vai nos deixar ficar aqui’’, disse a diretora da escola Érica Hosoume, 30 anos. A presidente da Apae Floripes Maria Valentini, 52 anos, disse que em Abatiá não existe outro lugar para abrigar a educação especial. ‘‘Vamos ficar na rua’’, teme.
A instituição foi instalada há três anos no município e desde fevereiro encontra-se na sede da Adeca. ‘‘O lugar que estávamos antes era um cubículo para atender todas as crianças’’, informou Floripes. Preocupadas também estão as mães de alunos. ‘‘Precisamos da Apae aqui no município. Antes as crianças tinham que estudar em Bandeirantes, era um sacrifício’’, comentou a trabalhadora rural volante Cleuza Pereira, 57 anos. A data do próximo leilão ainda não foi marcada.

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