Sede da PF ganha utilidade pública
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segunda-feira, 16 de março de 1998
Benê Bianchi 
O prédio onde está instalada a Polícia Federal em Londrina será declarado de utilidade pública. O decreto deve ser assinado hoje pelo prefeito Antônio Belinati (PDT). A notícia foi dada ontem, em visita do prefeito e do procurador jurídico do Município, Eduardo Duarte Ferreira, ao chefe da PF em Londrina, delegado José Roberto Morel.
O decreto de utilidade pública foi a forma encontrada pela Prefeitura para ajudar a PF, que está sendo despejada do prédio que ocupa, localizado na rua Quintino Bocaiúva, área central de Londrina.
O prédio faz parte do espólio de João Piaie e o herdeiro João Durval Piaie de Oliveira conseguiu reavê-lo, na Justiça. A Polícia Federal, que antes ocupava os quatro andares do prédio, hoje só ocupa o térreo e a garagem, e pode ser obrigada a deixar totalmente o imóvel a qualquer momento.
Segundo Belinati, a utilidade pública será válida por dois anos, como determina a lei. Após esse prazo, o imóvel será devolvido ao proprietário. Até lá, a Prefeitura propôs ajudar a PF a construir sua própria sede para onde se transferiria definitivamente. Se tudo correr bem, em 90 dias podemos iniciar a obra. Os recursos seriam remanejados do orçamento do Município e depois repostos pela PF, informou o prefeito.
Embora tenha uma planta do prédio a ser construído em terreno de sua propriedade, a PF não tem um orçamento definitivo da obra. No ano passado, uma empresa de Curitiba fez o levantamento de custos e chegou a cerca de R$ 1,7 milhão para construir cerca de 2 mil metros quadrados.
A planta já prevê garagem, quadra poliesportiva para manutenção física dos policiais e estande de tiro. A área administrativa seria de 1.300 metros quadrados. Consideramos R$ 1,7 milhão um valor alto e acreditamos que podemos baixá-lo com a licitação, comentou Belinati.
O prefeito ressaltou que o interesse da Prefeitura em manter a PF em Londrina é para que se mantenha uma ação efetiva no combate às drogas. Essa é uma grande preocupação nossa.
A outra alternativa estudada anteriormente pela PF, que seria a ocupação do prédio onde funcionava o Centro de Processamento de Dados do Banco do Brasil, foi descartada pelo tempo necessário para viabilizá-la. Segundo o delegado Morel, esta solução demandaria um tempo de que a Polícia Federal não dispõe. Após a visita do prefeito e do procurador, Morel entrou em contato com o diretor-geral da Polícia Federal, Vicente Chelotti, para comunicar o auxílio oferecido pela Prefeitura.
Segundo Morel, Chelotti solicitou que os deputados José Janene (PPB) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) fossem contactados para saber de que forma poderiam ajudar a viabilizar recursos para repor o caixa da Prefeitura. Os deputados apresentariam uma emenda ao orçamento da União de 99, no lugar de uma outra emenda já apresentada por eles e que previa recursos para a compra do prédio do BB.
Chelotti lembrou medida provisória do Governo Federal que proíbe o início de construções de órgãos federais enquanto não forem concluídas as já iniciadas. Mas acreditamos que uma saída para isso é a União repassar os recursos para a Prefeitura, observou Morel.
O herdeiro João Durval Piaie soube da notícia do decreto pela reportagem da Folha. Estou indignado. Ele diz que que o prefeito deveria colocar um imóvel dele ou da Prefeitura à disposição da Polícia Federal.
Piaie comentou: Estamos sendo injustiçados há 12 anos, desde que a empresa de meu avô, a Brasifrio, teve de deixar o prédio, em 86. Farei todo o possível para evitar que o prédio seja declarado de utilidade pública, mas, se isso ocorrer, é possível que toda a família Piaie deixe Londrina.


