Secri quer 'rachar' gasto da Escola Oficina
Proposta da Secretaria da Criança é dividir com Prefeitura de Londrina valor necessário para manter a instituição
Josoé de CarvalhoSEM FUNCIONARAs atividades pedagógicas da escola, que atende 138 crianças e adolescentes em situação de risco, já foram interrompidas por falta de repasse de verbas pelo governo do Estado
Lino Ramos
De Londrina
A Secretaria de Estado da Criança e Assuntos da Família (Secri) quer dividir com a Prefeitura de Londrina o valor necessário para reativar a Escola Oficina. A proposta de arcar com a metade dos R$ 64.500 necessários à manutenção da escola até o final do ano foi definida ontem à tarde durante reunião com a secretária Fani Lerner e o diretor-geral da pasta, Murilo Campelli, além do corpo técnico da Secretaria.
A Escola Oficina funciona no Conjunto João Paz, zona norte de Londrina, e atende 138 crianças em situação de risco social, muitos com passagens pelo Centro Integral de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Os alunos foram dispensados no dia 18 em razão da falta de recursos que garantam a continuidade das atividades pedagógicas.
Segundo o diretor-geral Murilo Campelli, a Secri se propõe a repassar metade dos recursos para a manutenção da escola até o final do ano, necessários para a folha de pagamento e 13º salário. A Prefeitura de Londrina, conforme a proposta do Estado, entraria com os R$ 32 mil restantes. Na linguagem popular, a Prefeitura e a Secri rachariam essas despesas, resumiu. Campelli foi incumbido por Fani Lerner de pedir que a vice-governadora, Emília Belinati, intermedie as negociações com a Prefeitura de Londrina.
Sobre a manutenção da Escola no próximo ano, a proposta da Secri é discutir com a Acalon a auto-sustentação da Escola Oficina. A Assessoria técnica da Secretaria está à disposição da Acalon para atingirmos a auto-sustentação, adiantou Campelli.
O prefeito Antonio Belinati (PFL) preferiu não comentar a proposta de dividir as despesas da Escola Oficina. A secretária municipal de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, disse que seria imaturo analisar a proposta, porque a instituição mantinha um convênio com o governo do Estado.
Segundo ela, mensalmente a prefeitura repassa R$ 7.400,00 à escola. Também existe um projeto na Câmara para a liberação de mais R$ 12 mil à Acalon. É interesse da administração que a escola não feche, mas é uma questão orçamentária, analisou.
A presidente da Acalon, Leozita Baggio Vieira, adiantou que a escola permanecerá fechada até que haja uma posição formal do município e da Secri sobre os recursos. Esperamos que seja o quanto antes pois se houver dispensa de funcionários a despesa subirá para R$ 82 mil, disse. Leozita admite discutir com a Secri a proposta de auto-sustenção mas quer agilidade nas negociações.
Segundo ela, qualquer mudança na filosofia pedagógica da escola e no tratamento dispensado aos alunos precisa ser discutida em assembléia pela Acalon, que já calculou em R$ 460 mil o orçamento para o ano 2000.





