Secretários discutem crise na saúde
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quarta-feira, 29 de janeiro de 1997
Sucursal de Maringá 
Edson GuittiSecretário de Maringá pede que municípios da região não encaminhem pacientes para o HU
O secretário de Saúde de Maringá, Ivan Murad, pediu ontem para que os municípios da região não encaminhem mais os pacientes em estado de urgência e emergência para o Hospital Universitário de Maringá (HU). Murad e o chefe da 15ª Regional de Saúde, Massatoshi Okazono, estiveram reunidos ontem à tarde com 28 secretários municipais da região.
Na reunião, Murad expôs o quadro caótico da saúde pública de Maringá, especialmente do HU, que está sem investimentos há dois anos. Ele pediu aos secretários da região que também assumam a responsabilidade da falta de leitos de UTI através do SUS e insistiu para que cada estabelecimento encontre alternativas para driblar a crise do setor. Segundo Murad, os pacientes só devem ser encaminhados para Maringá em último recurso, quando for constatado que não há mesmo vagas em outras regionais e quando o paciente realmente apresentar risco de vida.
Okazono pediu para que os hospitais dos 28 municípios acionem a Central de Leitos de Maringá antes de encaminhar os pacientes para o HU. No HU não há UTI, então tanto faz o paciente aguardar a vaga no município de origem como no HU, explicou. Segundo Okazono, os pacientes da região devem ser encaminhados diretamente para os hospitais indicados pela Central de Leitos.
Conforme dados da 15ª Regional de Saúde, cerca de 50% dos pacientes atendidos nos hospitais de Maringá são de fora. Em 27 municípios da região de Maringá não há UTIs. O problema é ainda mais grave, conforme Okazono, porque há hospitais atendendo pacientes de outras regionais. Nós também encaminhamos nossos pacientes para outras regionais, o que comprova que o problema da saúde é geral e a falta de UTIs pelo SUS é a principal causa, explicou.
De acordo com o secretário de Saúde de Itambé, José Gerdes Soares, os municípios da região já estão fazendo uma triagem dos pacientes para encaminhá-los à Maringá. Ele lembra entretanto, que a consulta na Central de Leitos nem sempre funciona devido a dificuldade de conseguir vagas. Segundo Soares, se cada município da região encaminhasse apenas um paciente por dia, já comprometeria os leitos de UTI de Maringá.
Se mandamos para Maringá é porque outros municípios e outras regionais também não puderam atender, desabafou. Para o secretário de Nova Esperança, Edno Guandalim, o município já faz o possível para não encaminhar pacientes em estado grave para Maringá. Fazemos o que podemos para atender o paciente no município, agora milagre não dá para fazer, disse. (Lucinéia Parra)


