O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, recebe amanhã um grupo de lideranças de Londrina para discutir uma solução para a greve dos funcionários e professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A reunião está marcada para as 15 horas e foi intermediada pelo arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin.
Ramiro Wahrhaftig disse que está ''aberto ao diálogo'', mas avisou que não há possibilidade de o Estado conceder ''qualquer reajuste'' para os servidores das universidades estaduais. O secretário sinalizou que pelo menos um ponto pode ser negociado: o pagamento da diferença descontada dos salários.
Ontem à noite, lideranças de Londrina, Maringá e Cascavel se reuniriam na Universidade Estadual de Maringá para articular a atuação das comissões que foram criadas durante as audiências públicas. A idéia é que elas intercedam junto ao Estado para facilitar a negociação com os grevistas. O movimento completou um mês no último dia 17.
A maior preocupação do comando de greve, no momento, é minimizar o impacto do não-pagamento dos salários dos servidores. O governo repassou 70% da verba referente à folha de pagamento de setembro e ameaça repassar apenas 30% de outubro. Hoje, às 8 horas, os funcionários da UEL estarão fazendo um bazar de roupas usadas em frente ao Cine- Teatro Ouro Verde. Até o final da semana, o movimento espera arrecadar 1.500 cestas básicas junto a supermercados, igrejas e clubes de serviço. Elas serão repassadas aos funcionários que recebem menos de três salários mínimos por mês (R$ 540,00). O professor Kennedy Piau, do comando de greve, disse que entre esses 1.500 servidores, estão 200 docentes que ganham cerca de R$ 370,00.
O repasse de 30% dos salários de outubro é referente aos serviços essenciais que não foram suspensos, como os atendimentos nos hospitais Universitário e Veterinário. ''O percentual será redistribuído entre os servidores e professores e deve dar entre sete e oito por cento para cada um'', explicou Piau. A folha de pagamento da UEL é de R$ 8 milhões.
Kennedy Piau acredita que se a paralisação continuar mais oito ou 10 dias o vestibular de janeiro e o calendário escolar estarão comprometidos. O coordenador de Assuntos de Ensino e Graduação (CAE), Luiz Carlos Bruschi, não confirmou essa informação. Ele aposta na agilidade da universidade em organizar o concurso, porém lembra que se a greve continuar ''por muito tempo'' uma nova data poderá ser definida.
O prazo de inscrição para o vestibular já terminou. Mas as inscrições não estão sendo homologadas pela Comissão Permanente de Seleção (Copese). Bruschi prevê que o número de inscritos fique em torno de 18 mil. O último vestibular de verão teve 19.872 inscritos.

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