O secretário de Obras de Londrina, Aloysio Crescentini de Freitas, compareceu ontem na Câmara de Vereadores para se defender das acusações de fraude contra a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). A defesa foi motivada pela apresentação do relatório final da investigação realizada pela ECT, entregue ontem aos vereadores pelo empresário Luiz Jorge Bolognesi e divulgado com exclusividade na edição de ontem da Folha.
Crescentini é proprietário de uma franquia da ECT no Jardim Shangri-lá (Zona Oeste) e está sob investigação da Polícia Federal (PF) desde julho do ano passado. De acordo com o relatório, a agência causou um prejuízo de R$ 5,8 mil a ECT referentes a disparidade entre o valor real da correspondência postada e o registrado na máquina.
Na tribuna, o secretário voltou a afirmar que não tinha conhecimento do relatório final da ECT. Ele admitiu o mau funcionamento da máquina, mas alegou que o prejuízo era computado tanto para a ECT como para sua agência. ''Fazemos um relatório quinzenal aos Correios e semestralmente a máquina passa por manutenção'', disse.
O confronto entre Bolognesi, que afirmou ontem ter sido o autor da denúncia das irregularidades à PF, foi tenso e marcado por troca de acusações de cunho pessoal. ''Não quero mais ser sócio desse cidadão e ele está se aproveitando da mídia para tumultuar uma decisão judicial'', afirma o secretário, referindo-se ao fim da sociedade de uma pousada entre ele e a filha do empresário. ''Fui atrás dessa situação porque ele tem um padrão de vida que não é compatível com a sua renda'', rebateu Bolognesi à imprensa.
Depois de ouvir ambos os lados, os vereadores, visivelmente constrangidos com a situação, voltaram à pauta do dia sem maiores questionamentos. Em nota oficial divulgada no final da tarde de ontem, o prefeito Nedson Micheleti saiu em defesa do secretário alegando que tem ''total confiança no secretário''. A nota também cita que Crescentini está conduzindo sua defesa de modo transparente e tranquilo. A PF aguarda resultado de perícia própria na máquina para dar continuidade no inquérito.

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