Curitiba – O secretário de Ciência e Tecnologia do Paraná, Ramiro Wahrhaftig, fez suspense ontem sobre a confirmação do nome de Lygia Pupatto para a Reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Segundo ele, os afastamentos dos reitores da UEL e Unioeste por causa de denúncias de irregularidades – ambos escolhidos pela comunidade e referendados pelo governador do Estado – mostram que é preciso analisar melhor os candidatos e não simplesmente acatar o resultado da eleição.
A lista tríplice, proposta pelo Conselho Universitário, deve ser entregue pelo atual reitor da UEL, Pedro Gordan, na próxima segunda-feira ao secretário em Curitiba. Wahrhaftig disse que pretende agendar uma conversa pessoalmente com cada um dos candidatos, para verificar seu comprometimento com um plano de trabalho que seja compatível com os ‘‘ideais’’ do governo. Só então, o secretário irá levar sua opinião ao governador Jaime Lerner (PFL), que fará a escolha definitiva. Todo esse processo deve demorar em média pelo menos duas semanas.
Apesar da mudança na sistemática de escolha dos reitores, o secretário diz que o processo de eleição pela comunidade ainda é muito importante. Wahrhaftig garante também que o fato de Lygia Pupatto ser do PT não influenciará na decisão do governo. ‘‘A questão político-partidária não tem nada a ver com nossos critérios de escolha.’’ Lygia foi eleita com 34,8% dos votos, seguida de Carlos Roberto Appoloni com 28,3%.
A professora Lígia Pupatto disse que espera que o governador Jaime Lerner ratifique o resultado da eleição. Lígia afirmou que está tranquila e que se for convidada irá a Curitiba para conversar com o secretário. ‘‘Essa conversa será muito proveitosa porque já iremos começar os diálogos sobre a administração da UEL.’’ Ela informou ainda que todos os candidatos firmaram o compromisso de não assumir o cargo senão fossem o mais votado pela comunidade.
O ex-reitor da UEL Jackson Proença Testa, citado pelo secretário, acabou pedindo exoneração antes de ser afastado pelo governo, em agosto do ano passado, depois de ser denunciado por irregularidades na distribuição de verbas publicitárias, superfaturamento em obras e uso da estrutura da universidade para campanhas políticas. Já a ex-reitora da Unioeste Liana Fuga foi afastada pelo secretário, em junho do ano passado, acusada de ter favorecido amigos, inclusive o marido, Itamar Borges, num concurso público da universidade. Os dois casos ainda estão sendo investigados pelo Ministério Público.

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