O secretário municipal de Administração, Moysés Leônidas, pretende apresentar sexta-feira ao prefeito Antonio Belinati um estudo sobre a viabilidade da mudança do horário de trabalho do funcionalismo. A proposta é que todos os funcionários da Prefeitura trabalhem das 8h30 até às 11h30 e das 13h30 às 17h30. Atualmente, o funcionalismo é dividido em dois grupos: um trabalha das sete até às 13 horas e o outro grupo do meio-dia até às 18.
Segundo Moysés Leônidas, a alteração objetiva possibilitar ao funcionário dar continuidade ao trabalho que começa a fazer pela manhã e que, muitas vezes, é interrompido no período da tarde. Quem sai prejudicado, afirma o secretário, é a própria população. ‘‘Quando assumimos a Secretaria da Administração, recebemos de diversos lugares reclamações sobre o horário de atendimento. Tem gente que trabalha até às 12 horas e não tem como dar sequência ao trabalho.’’
Um exemplo: anteontem, uma equipe da Secretaria de Obras precisou ir pela manhã ao distrito de Maravilha. Demorou uma hora para organizar o equipamento, outra hora para se deslocar e, depois de duas horas de serviço, já se preparava para voltar a Londrina. Outra equipe teria o mesmo trabalho de organizar o material, se deslocar até o distrito e encurtar o serviço, em função do horário.
Moysés Leônidas diz que, com a alteração do horário, é provável que faltem cadeiras para acomodar todos os funcionários. ‘‘O problema é que temos falta de servidores em alguns setores, como na saúde e educação, por exemplo. Mas em outros setores, sem qualificação, existe excesso.’’
Uma das soluções para esse problema, apontada pelo secretário, promete causar polêmica entre o funcionalismo: ‘‘A prefeitura bem poderia dispensar uns dois mil funcionários. Mas existe hoje um ‘nó gótico’ na administração pública que é a estabilidade. Toda hora que você vai fazer uma mudança esbarra nela.’’
Moysés Leônidas garante que esse é uma posição pessoal dele e não do prefeito Antonio Belinati. Mas, se o prefeito pedir um estudo técnico sobre necessidade ou não de dispensas, a secretaria vai propor as demissões. ‘‘A palavra de ordem, hoje, é racionalização’’, diz Leônidas. Hoje, prefeitura tem cerca de seis mil funcionários.
O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Londrina (Sindserv), Gláudio Lima, afirma que a entidade é terminantemente contra a proposta de Leônidas. ‘‘Para mudar o horário, hoje, tem que também alterar salário. E a prefeitura não tem condições para isso’’, considera. ‘‘Além do mais, o prefeito garantiu que antes de qualquer modificação no horário ele falaria com o Sindicato.’’ Para Gláudio, o secretário não tem dados para compravar suas opiniões, e o que ele quer mesmo é criar fatos para aparecer na mídia.
O estudo sobre a mudança de horário será entregue na sexta-feira ao prefeito. Belinati deverá se manifestar sobre ele já no sábado, às 10 horas, quando também mostrará o resultado da auditoria que técnicos da Universidade de São Paulo (USP) fizeram sobre a situação da prefeitura.

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