Construir em 90 dias uma ala de 24 celas, anexa à Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), no jardim Acapulco (zona sul), para abrigar cerca de 100 presos não condenados. As celas funcionariam enquanto a nova Cadeia Pública, que será construída no distrito de Maravilha, não ficar pronta. Essa foi a solução que o secretário de Segurança Pública do Paraná, Cândido Martins de Oliveira, apresentou ontem ao problema de superlotação dos distritos policiais de Londrina.
A proposta foi levada pessoalmente ao delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, e também para o subchefe do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves de Oliveira. No começo da tarde, Leonyl e Gonçalves foram à Câmara mostrar a proposta do secretário e pedir a intermediação dos vereadores para que seja possível concretizar a idéia. A expectativa dos vereadores era de que o próprio Cândido Martins fosse ao Legislativo, mas isso acabou não acontecendo.
Segundo Leonyl Ribeiro, o secretário sugeriu a construção das celas provisórias num terreno que já pertence ao governo, mas necessitaria em contrapartida de uma área da Prefeitura para a construção de um pavilhão industrial para os presos da PEL. ‘‘Futuramente, com a conclusão da Cadeia em Maravilha, os presos provisórios serão encaminhados para o novo prédio. E as celas, mais a estrutura administrativa, poderão ser utilizadas pela Penitenciária como sessão de triagem.’’
A área que o secretário requisitou informalmente à Prefeitura faz parte dos 13,4 mil metros quadrados que foram doados em 1995 para a construção da nova cadeia. Mas essa doação foi revogada posteriormente pela Câmara, por pressão dos moradores do jardim Acapulco. Depois da revogação, a Câmara doou cerca de 5 mil metros quadrados para a Associação de Moradores daquele bairro, mas sobraram ainda para a Prefeitura mais de 8 mil metros quadrados, que agora seriam novamente repassados ao Estado.
Os vereadores entenderam que, como se trata de doação de terreno público, a iniciativa deveria partir do prefeito Antonio Belinati, através de projeto de lei. Por isso, Leonyl e Geraldo Gonçalves - agora acompanhados do vereador Salvador Francisco (PSDB), da Comissão de Segurança da Câmara - foram ao gabinete do prefeito relatar a sugestão do secretário e pedir o apoio do prefeito.
‘‘Como foi a própria Câmara que revogou o projeto de doação, acho que é ela quem deveria propor novamente o projeto’’, respondeu Belinati. E lembrou: ‘‘Tenho compromisso com os moradores do jardim Acapulco para não permitir esse tipo de construção naquela área’’. Apesar da cautela do prefeito, o vereador Salvador Francisco informou que Belinati teria acenado que sancionará o projeto caso ele parta da Câmara. No começo da noite de ontem, os vereadores se reuniram para discutir o assunto. Hoje eles deverão retomar a discussão. A expectativa de Salvador Francisco é que o projeto entre em regime de urgência na sessão de amanhã.

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