Secretário pretende acabar com turno da fome em escolas
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quarta-feira, 03 de dezembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
O secretário de Educação de Londrina, Dorival Perez, quer acabar em Londrina com o que ele chama de turno da fome, ou turno intermediário, praticado hoje em 13 das 61 escolas municipais de 1ª a 4ª série na Cidade. O horário de aula, para esses alunos, é das 11 horas às 14h30. Hoje 2,5 mil crianças estudam nesse horário.
A criação desse turno intermediário, segundo Perez, foi há mais de 15 anos, para suprir a falta de salas de aulas e atender a demanda. Ou seja: a escola, em vez de oferecer em cada sala dois turnos de aula (manhã e tarde), criou um novo, que começa pouco antes da hora do almoço e termina pouco depois - daí o apelido. Imagine essas crianças tendo aula nesse clima quente e muitas vezes sem se alimentar. A primeira consequencia é a queda do nível de aprendizado, explica o secretário.
Outro problema, além dos alunos, está também na produtividade dos professores. Muitos deles começam dando aulas no período da manhã (7h30) e emendam com o turno intermediário - só param de trabalhar depois das 14h30, sem intervalo. Além do mais, diz o secretário, o professor que leciona no turno intermediário está impedido de dar aulas também na rede estadual de ensino, já que quando sai da escola municipal as aulas já começaram na estadual.
Mas os prejuízos vão além. O turno intermediário, além de ter encurtado o próprio horário de aula (de quatro para três horas e meia), diminui também o horário dos turnos normais. Para que a aula comece às 11 horas, o pessoal da manhã tem de sair meia hora mais cedo; e no período vespertino acontece o contrário, com os alunos entrando mais tarde.
A nova Lei de Diretrizes e Bases (LDB) prevê 200 dias letivos com 200 horas-aula e quatro aulas diárias. No caso do turno intermediário, com três horas e meia, o ano letivo teria que ser prorrogado por mais 16 dias, criando dificuldades para alunos e professores. Sem contar a confusão que acontece no encontro das crianças entre uma turma e outra, o que encurta ainda mais as aulas.
Fica difícil até para manter a limpeza das salas de aula, destaca Dorival Perez, já que a turma da manhã emenda com o intermediário e não há tempo para limpar a bagunça. À tarde, ele explica, faz-se um pequeno intervalo - de 15 minutos - entre uma aula e outra para o serviço, mas ainda assim não é suficiente para acabar com toda a sujeira.
Dorival Perez diz que pretende fazer um estudo comparativo avaliando o desempenho das crianças que estudam nos turnos normais com crianças do turno intermediário. Do resultado, porém, ele não espera nenhuma surpresa: Ainda não temos dados estatísticos, mas não tenho dúvidas de que o desempenho é inferior.
Para o secretário, a única saída para acabar com o turno intermediário é a criação de novas salas de aula em escolas onde há espaço físico para ampliação. Ou então a construção de novas escolas, onde a ampliação não é possível. Para isso já está prevista a liberação de R$ 780 mil do Fundo Nacional do Desenvolvimento Escolar (FNDE) para Londrina. Se for liberado, começamos a construção em janeiro e terminamos no máximo em abril ou maio.
Com os recursos liberados, explica o secretário, será possível acabar com o turno intermediário em pelo menos oito das 13 escolas públicas da Cidade que mantém o sistema. Além disso, há estudos para construção de uma nova escola no jardim Santa Fé (zona leste), que absorveria o turno intermediário de outras duas escolas. Espero acabar com o turno da fome até o final da minha gestão.


