Secretário presta contas e diz que Prefeitura tem R$ 61 mi da Sercomtel
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terça-feira, 16 de março de 1999
Áureo Nogueira 
A Prefeitura de Londrina ainda tem aproximadamente R$ 61 milhões da venda de ações da Sercomtel. A informação é do secretário de Fazenda, Luís César Guedes, que ontem foi à Câmara Municipal prestar contas aos vereadores. Guedes explicou que dos R$ 186 milhões - valor de 45% das ações da companhia telefônica vendidas à Copel - a Prefeitura recebeu cerca de R$ 96 milhões. Os outros R$ 90 milhões foram descontados de dívidas referentes a empréstimos obtidos através da Sercomtel, como recompra das ações transferidas, empréstimos em bancos com caução de ações e empréstimos diretos.
O secretário explicou, ainda, que do valor líquido recebido pela Prefeitura, aproximadamente R$ 15 milhões foram investidos em desapropriações, obras, infra-estrutura e máquinas e equipamentos e outros R$ 20 milhões, na liquidação de deficites orçamentários dos últimos seis anos. Os R$ 61 milhões que restam estão investidos no Banestado, Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, acrescentou Guedes.
Quanto à remuneração das aplicações financeiras, o secretário de Fazenda disse que foram arrecadados quase R$ 10 milhões e que este recurso não está sendo considerado como fundo das ações da Sercomtel porque foi lançado no caixa da Prefeitura.
As questões que mais preocuparam os vereadores foram a utilização dos recursos da Sercomtel para cobrir déficit orçamentário, a negociação do pagamento de empréstimos e o pagamento de dívida da Prefeitura diretamente com a Sercomtel. Para os vereadores, a utilização dos recursos das ações para cobertura de déficit orçamentário representa a dilapidação de patrimônio.
Guedes concordou com os vereadores e garantiu que a arrecadação e as despesas da Prefeitura nos primeiros meses do ano estão equilibradas e que a projeção aponta para superávit no final do período.
Sobre as negociações com os bancos credores e da dívida com a própria Sercomtel, os vereadores entenderam que elas foram generosas por parte da Prefeitura.
Ao final dos debates com o secretário de Fazenda, o vereador Célio Guergoletto (PMDB), autor da convocação de Guedes, disse à Folha que houve alguns desencontros de números entre as explicações do Secretário, a carta à população assinada pelo prefeito Antonio Belinati (sem partido) no final de fevereiro e a resposta a requerimentos de vereadores nos últimos meses.
O secretário apresentou informações - como o empréstimo de menos de 20 milhões de reais que acabou custando quase R$ 40 milhões - que a Câmara desconhecia, detalhou Guergoletto, acrescentando que a partir dos esclarecimentos de Guedes os vereadores terão melhores condições de fiscalizar o executivo e acompanhar a aplicações desses recursos.
Guergoletto enfatizou, ainda, que espera que os representantes da Câmara no Comitê de Gestão Financeira sejam convocados para discutir as políticas a serem definidas.


