Luciane Tonon
O Secretário de Saúde de Alvorada do Sul (68 km ao norte de Londrina), Marcos Antônio Tanajura, registrou queixa na polícia por estar sendo ameaçado de morte. As ameaças, segundo ele, começaram a partir da dispensa dos serviços da enfermeira do posto de saúde, Tereza Aparecida Grange Gasparelli, no dia 20.
Marcos Antônio disse que entrou com um pedido de garantia de vida e integridade física junto à Secretaria de Segurança Pública do Estado e ainda está processando a enfermeira por calúnia e difamação. Por outro lado, Tereza disse que também está entrando com uma representação contra o secretário por tentativa de agressão física. Ela alega estar sofrendo perseguições políticas.
‘‘As ameaças têm sido tantas que não posso entrar em Alvorada sem cobertura policial. Eu nunca tive problemas com esta enfermeira. Há três meses, começou um clima de descaso dela no serviço, o que atingiu toda a equipe’’, disse Marco Antônio. Ele está há três dias em Londrina para preservar a família.
Segundo o secretário, a enfermeira e toda sua família são contra a atual administração. ‘‘Em uma reunião ela falou mal do prefeito e no trabalho tem tentado fazer de tudo para não dar certo os projetos municipais’’, argumentou o secretário. Ele disse que teve que dispensar os serviços dela na condição de secretário de Saúde. ‘‘Se a Tereza não tivesse espalhado calúnias a meu respeito e o seu marido Roberto Gasparelli me ameaçado de morte, não teria necessidade de envolver a Justiça no caso.’’
Trabalhando há 13 anos no município, Tereza foi colocada à disposição da 17ª Regional de Saúde, à qual é vinculada. Para ela, tudo isso não passa de perseguição política. ‘‘Só porque eu me filiei em um partido de oposição. É a única justificativa que vejo porque nem na carta de dispensa que me apresentaram eles colocaram o motivo’’, disse a enfermeira.
Tereza afirmou que, desde 1986, quando começou a trabalhar no município, nunca teve problemas com os prefeitos. ‘‘Sou funcionária do Estado. Não dou gasto nenhum para o município. Agora me dispensam sem mais e sem menos’’, disse. Quanto às ameaças ao secretário de Saúde, Tereza garante não ter conhecimento. ‘‘Eu estou tranquila, aguardando uma resposta da 17ª Regional para saber onde vou’’, comentou.
O advogado de Tereza, João Carlos Peres, disse que o secretário quer passar de ‘‘vilão a vítima’’. ‘‘Se ele tiver prova das ameaças, pode ir atrás. Se está refugiado, é de vergonha. Tenho cinco abaixo-assinados da comunidade pedindo a volta de Tereza ao cargo’’, informou o advogado. Ele afirma ser perseguição política e acusa Marco Antônio de agredir sua cliente.
A chefe da 17ª Regional de Saúde de Londrina, Djamedes Garrido, estava viajando na tarde de ontem e não pôde ser ouvida pela Folha.

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