Secretário pede emprego para presos
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 1997
Luka Morais 
Mário CesarPena alternativaO secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira: Se colocarmos 10 presos em 10 empresas sobram 100 vagas nos DPsSensibilizar empresários e industriais para que dêem emprego aos presos que superlotam os distritos policiais de Londrina. É o objetivo do plano anunciado ontem pelo secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. Ele esteve em Londrina fazendo a entrega de 12 viaturas para as polícias Civil e Militar. Venho trazer um plano novo de segurança. Uma nova metodologia e um desafio, disse o secretário. Quem pensou na transferência dos detentos para outras localidades ou na agilização das obras da Cadeia Pública, que só deve estar pronta em 1998, se enganou.
O plano, apresentado durante cerimônia de entrega de viaturas no 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM), é fundamentado na Lei de Execuções Penais, que prevê penas alternativas, dependendo da conduta dos encarcerados. De acordo com Cândido de Oliveira, o empresário ou industrial que empregar 10 detentos contará com a segurança de um policial civil ou militar. Se colocarmos 10 presos em 10 empresas, teremos 100 vagas nos distritos, raciocina Oliveira. Segundo ele, através do trabalho o detento estará se preparando para o retorno ao convívio social.
A idéia do secretário, que ainda será apresentada ao prefeito Antonio Belinati e debatida com lideranças locais, prevê um acordo com o Poder Judiciário para que se faça a seleção dos detentos nas delegacias e presídios, de acordo com o tipo de crime que cometeram e o comportamento apresentado.
Para Oliveira, os presos terão a vantagem de deixar as celas, receber salário e a oportunidade da ressocialização. Os empresários de boa vontade terão a mão-de-obra que precisam, terão segurança e ainda vão ajudar a resolver um problema que é de todos e não só do Estado, disse.
Mário CesarSecretaria de Segurança fez ontem a entrega de 12 viaturas
O secretário Cândido de Oliveira acredita que, para enfrentar o desafio da colocação dos presos no mercado de trabalho, terá o apoio da Igreja Católica, que este ano escolheu os encarcerados como tema da Campanha da Fraternidade. Vamos abrir a cabeça e o espírito para uma alternativa criativa e inteligente. Esperamos também contar com a ajuda do Ministério Público, dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e da coletividade.
A solução para os 2.500 presos no Paraná que estão com suas sentenças tramitadas e julgadas, mas ainda cumprem penas nas delegacias do Estado, disse Cândido de Oliveira, também será resolvido com a construção de presídios e investimento em recursos humanos. Vamos colocar nas delegacias de Londrina mais investigadores e escrivães, garantiu.
A promessa foi reforçada pelo diretor da Polícia Civil, Toleb Baleche, que participou da cerimônia de entregue das viaturas. Ele afirmou que até o mês que vem será feito concurso para a contratação de policiais civis no Estado. Ele condicionou a medida à autorização que deve, segundo ele, ser dada pelo governador Jaime Lerner.
Balech informou que há 800 vagas para investigadores e 230 para escrivães em todo Estado. Londrina, segundo informou, deverá ter um reforço de 40 policiais civis. Um número considerado insuficiente para o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina (Sindipol), Ralf Gren de Oliveira. Ele diz que o mínimo para que a polícia possa cumprir seu papel é de 150 homens. Atualmente o efetivo é de 62 policiais, sendo que 35 atuam como carcereiros nos distritos policiais.


