Secretário não vem e revolta líderes
Silvana Leão
De Londrina
O secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, cancelou na última hora a viagem que faria a Londrina ontem e causou revolta entre as entidades do movimento Londrina exige o fim da violência, que esperavam encontrar-se com ele na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
A assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança sustentou que o encontro na Acil não havia sido agendado, mas o presidente do Conselho de Segurança de Londrina, Newton Moratto, garantiu que o convite para a reunião das autoridades na sede da entidade estava confirmada. Por isso, ontem de manhã, representantes de entidades e veículos de comunicação que integram a campanha, ao lado de dezenas de pessoas da comunidade londrinense, aguardavam a presença de Oliveira. Segundo o presidente do Conselho de Segurança Comunitária, Newton Moratto, a reunião estava agendada há dias e ninguém havia sido informado do cancelamento da visita à cidade.
Além de Cândido de Oliveira, os organizadores do encontro tinham a expectativa de também contar com a presença do delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, João Ricardo Noronha, e do comandante-chefe da Polícia Militar, coronel Guaraci Barros. Porém, com a suspensão da viagem do secretário, Barros também não compareceu a Londrina e o delegado Noronha, o único que veio, alegou não ter conhecimento da reunião na Acil.
Pouco depois das 11 horas (horário marcado para o encontro), as lideranças ligadas à campanha resolveram dar início à reunião de trabalho. Na mesa, os lugares reservados ao secretário e outras autoridades foram deixados vagos. Moratto, que falou rapidamente aos presentes entre eles representantes de várias entidades e associações de moradores demonstrou sua indignação com a ausência dos convidados e garantiu que agora a campanha contra a violência continua ainda com mais vigor.
A vereadora Elza Correia (PMDB) pediu a palavra para recomendar aos presentes que não saíssem dali frustrados e sim, revigorados para continuar o movimento. O pastor Lucimar Manoel Vieira, representando o Conselho de Pastores de Londrina, leu dois versículos da Bíblia que falam da importância de cumprir os votos feitos e disse sentir-se violentado com o descaso das autoridades.
Em seguida a reunião foi suspensa, causando contrariedade em algumas pessoas que gostariam de manifestar sua revolta com as questões ligadas à segurança. O advogado Rui Carneiro, demonstrando indignação, disse que estava ali para apoiar o movimento e esperava poder exercer seus direitos constitucionais de expressar-se. Ele afirmou que chegou a adiar uma viagem para participar da reunião.
Newton Moratto admitiu que o encontro foi encerrado rapidamente de maneira proposital, já que o que havia sido agendado era uma reunião de trabalho com o secretário de Segurança e isto não aconteceu. Nós preparamos um protocolo, definindo quem iria falar e quem só participaria como ouvinte. Esta revolta de Carneiro é a revolta de todos os londrinenses.
O presidente da Acil, Valter Orsi, explicou que a interrupção da reunião não teve o sentido de cercear a opinião dos presentes, mas apenas uma questão de organização. Algumas lideranças da campanha contra a violência reuniram-se em seguida e elaboraram um manifesto público de repúdio à ausência do secretário de Segurança.
Depois de quase uma hora do fim do encontro, o delegado João Ricardo Noronha chegou à sede da Acil acompanhado do delegado-chefe da 10ª SDP, Wanderci Corral Fernandes; do delegado-chefe da Divisão Policial do Interior (DPI), Nabor Sottomaior e do diretor-adjunto do Instituto de Criminalística de Londrina, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho, entre outras autoridades. O grupo foi recebido apenas por Valter Orsi, que não escondeu a frustração sentida por todos.
Não agendei nenhuma reunião com o Conselho de Segurança e nem com lideranças desta campanha, embora tivesse a intenção de procurá-los, defendeu-se o delegado-geral.
No começo da tarde, o movimento Londrina exige o fim da violência divulgou o manifesto de repúdio. O texto diz que o não-comparecimento, sem justificativa e contrariando compromisso assumido por ele (secretário) próprio, representa desrespeito e descaso com a mobilização inédita envolvendo mais de 170 entidades e veículos de comunicação. Representa também uma afronta a todo cidadão londrinense.Esperado ontem por entidades da campanha Londrina exige o fim da violência, Cândido Martins de Oliveira não apareceu
Dorico da SilvaESPAÇO RESERVADOPadre Manoel Joaquim, Zanetti, Moratto, Orsi e pastor Lucimar Vieira. No centro, lugares vagos para autoridadesDorico da SilvaO delegado Noronha, ao lado de Orsi, da Acil. No outro lado da mesa, o delegado-chefe Wanderci Fernandes





