James Alberti e
Rubens Burigo Neto
De Curitiba
O secretário de Estado da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, não se reuniu ontem com o presidente da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Edgard Cavalcanti de Albuquerque, como anunciou que faria. O secretário quer a ajuda da OAB para fazer um levantamento da situação penal dos presos que estão nas delegacias de Curitiba e da região metropolitana. Na opinião de Cândido Martins, a medida pode reduzir a superlotação e as fugas de presos dos distritos policiais e cadeias públicas.
Segundo a assessoria de imprensa da secretaria estadual de Justiça, dos 710 detentos que estão nas delegacias, 30% já foram condenados e poderiam estar cumprindo penas nas penitenciárias ou em regime semi-aberto. Hoje, a advogada Lúcia Maria Beloni, da OAB-PR, deve se reunir com representantes do Ministério Público e das secretarias de Justiça e Segurança para propor a criação do exame criminológico itinerante.
Este teste é realizado obrigatoriamente com presos que podem passar para o regime semi-aberto ou obter a liberdade condicional. Se a idéia for colocada em prática, Lúcia Beloni acredita que, em médio prazo, pode ser solucionado o problema da superlotação nas delegacias de Curitiba e da região metropolitana.
A única medida prática adotada até o momento para conter as fugas de presos foi o reforço da segurança nas imediações dos 13 distritos policiais e nas duas delegacias especializadas da cidade. Desde sábado as delegacias estão servindo como base das operações dos policias militares que fazem ronda perto dos distritos policiais.
Até o fim da tarde de ontem não havia sido recapturado mais nenhum dos 24 presos que fugiram da carceragem do 11º Distrito Policial, na Cidade Industrial de Curitiba, na madrugada de sábado. O delegado Ronald de Jesus informou que está sendo feito um revezamento dos presos nas 12 celas do DP, para que sejam fechados os respiros que ficam no teto das celas. No sábado, os presos fugiram em menos de 15 minutos, depois de serrar ferros e escavar o concreto para aumentar o buraco dos respiros. O 11º D.P. tem capacidade para 45 detentos, mas abriga 105.
Por causa da superlotação, na quinta-feira da semana passada o 7º e o 10º distritos foram internditados parcialmente pelo juiz Roberto Antonio Massaro, corregedor dos presídios da Comarca de Curitiba. O número de presos é duas vezes superior a capacidade dos DPs. A falta de assistência médica e a pouca comida agravam o problema. No 7º distrito, que fica ao lado de uma escola municipal, os 29 presos são alimentados por familiares e pela comunidade. No 10º, o governo se encarrega por fornecer o almoço para 45 dos 91 presos. O restante e a janta é fornecida pela comunidade.

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