O Secretário de Meio Ambiente do Paraná, Hitoshi Nakamura, disse ontem que os maiores culpados pela poluição dos rios que abastecem a Região Metropolitana de Curitiba são os próprios moradores das cidades por onde passam os rios, as famílias que ocuparam áreas irregulares e aquelas que jogam lixo em valas e nos rios.
Seriam elas as responsáveis pelo governo estadual não ter conseguido cumprir promessa de campanha de limpar os rios de Curitiba. A Folha publicou ontem e anteontem reportagens baseadas em estudos da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e da Superintendência de Desenvolvimento de Rucursos Híbridos e Saneamento Ambienatal (Suderhsa), mostrando que a qualidade da água dos rios da Região Metropolitana está seriamente comprometida.
Nakamura disse que ano passado foram recolhidos mais de 150 toneladas de lixo dos rios. Mesmo assim o índice de contaminação continuou aumentando. ‘‘Se não fosse esse trabalho, talvez não houvesse mais condições de tornar a água potável’’, afirmou. O secretário acusou os moradores de transformar o rio em um carregador de lixo particular. ‘‘As pessoas não têm noção de que aquela água irá atender toda a região metropolitana’’.
Sem obter resultados significativos em seus programas até agora, o governo estadual espera reverter a situação com o projeto Paranasan, orçado em R$ 391 milhões e que deve acabar com os índices alarmantes de coliformes fecais nos mananciais, através do tratamento de 83% do esgoto dos municípios da Região Metropolitana, além de tratar 100% do esgoto dos sete municípios do Litoral.
O projeto prevê ainda a coleta de lixo agrotóxico no interior do Estado, a construção de barragens e o tratamento de água potável para a Região Metropolitana. Com atraso de mais de 500 dias, a licitação deve ser lançada este mês. Apesar das obras, Nakamura afirma que somente a conscientização pode reverter o processo de comprometimento dos rios. Para isso, afirma ele, a secretaria aposta na educação ambiental nas escolas, transformando os alunos em agentes de conscientização dos familiares e fiscalização.

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