Secretário manda um recado aos delegados
Secretário manda um
recado aos delegados
O secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, mandou ontem um recado para os delegados do alto comando da Polícia Civil que condenaram sua assinatura no pedido da Polícia Militar para a autorização do grampo nos telefones dos sem-terra de Querência do Norte. Gostaria que eles analisassem com mais cuidado o que diz a lei e lessem com atenção meu despacho, afirmou.
A crítica tem como endereço o ex-corregedor geral Annibal Bassan Júnior e o delegado Adauto de Oliveira, ex-diretor da Escola de Polícia. Os dois pediram afastamento das funções por conta de brigas com a Polícia Militar. O grampo telefônico esteve no centro das discussões quando a Corregedoria da Polícia Civil, então sob comando de Bassan, preparou um documento afirmando que o grampo foi ilegal.
Já Adauto de Oliveira afirmou à Folha que o secretário deixou de cumprir a lei 9296, que regulamenta a escuta telefônica. Para o delegado, a lei é clara e não deixa margem a interpretações, ao contrário do que afirma Cândido Martins. O artigo 3º da lei determina que apenas delegados e o Ministério Público podem pedir uma escuta telefônica. O procedimento também pode ser autorizado por ofício pelos juízes.
A pedido dos advogados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o procurador geral do Estado, Gilberto Giacóia, estuda a possibilidade de abrir processo contra o secretário. O pedido incluiu também a juíza de Loanda, Elisabeth Khater, que concedeu autorização para o grampo, o coronel Valdemar Krestchmer, subcomandante e chefe do Estado Maior da Polícia Militar, o major Waldir Copetti Neves, chefe do Grupo Águia do Comando do Policiamento do Interior, e o 3º sargento Valdeci Pereira da Silva, do 8º Batalhão da PM.
O secretário disse que estava impedido eticamente de falar sobre a possibilidade de ser processado. Não gostaria de me manifestar sobre um assunto que está em estudo pela Justiça, disse.





